O Zimbabwe pagou cerca de 732 milhões de euros em indemnizações a agricultores brancos pelos terrenos expropriados em 2000, durante o programa de reforma agrária do então Presidente Robert Mugabe, anunciou hoje o ministro das Finanças zimbabweano.

“Salientei os progressos na compensação pelas terras, com 820 milhões de dólares pagos aos antigos proprietários de quintas, a par das reformas em curso no domínio da propriedade fundiária e da governação”, declarou Mthuli Ncube, na rede social X (antigo Twitter).

O ministro pronunciou-se após ter participado, na terça-feira, na reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, realizada em Banguecoque, capital da Tailândia, na qual também partilhou os avanços do Zimbabwe em matéria de estabilização macroeconómica.

Esta nova actualização dos números surge após o Governo zimbabweano ter anunciado, em 29 de Setembro, que tinha desembolsado cerca de 521 milhões de dólares em indemnizações e que um total de 623 agricultores tinham beneficiado dessas compensações em três fases.

O governante não forneceu novos dados sobre os números de agricultores beneficiados por esta medida.

O pagamento de compensações aos proprietários das explorações agrícolas constitui um passo importante no processo de liquidação dos pagamentos em atraso e na resolução da avultada dívida contraída por este país da África Austral, em incumprimento desde 1999, a fim de recuperar a confiança dos credores internacionais.

O Governo do já falecido Robert Mugabe, que dirigiu o país com mão de ferro entre 1980 e 2017, quando foi afastado do poder pelos militares, expropriou em 2000 cerca de 4.000 agricultores brancos das terras a que tinham acedido na época colonial, num momento em que o país vivia uma recessão económica.

Os agricultores brancos desempenharam um papel fundamental na economia agrícola até 2000, produzindo tabaco e produtos hortícolas, como flores, para exportação. A população negra começou então a ocupar de maneira informal os campos que ficaram vazios.