O DEBATE de ontem entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro foi marcado por poucas propostas, sucessivas trocas de ataques pessoais e acusações de corrupção, com o senador a apostar na segurança e o Presidente brasileiro na defesa do legado.
Com os moderadores a intervirem pouco, os candidatos à Presidência do Brasil aproveitaram repetidamente as intervenções para se atacarem mutuamente e tentar ganhar vantagem para as eleições de domingo.
O debate, que durou cerca de duas horas, com três curtos intervalos, organizado pela televisão Bandeirantes (Band), foi o primeiro frente-a-frente entre os dois durante a campanha.
Uma das partes do debate contou com um confronto livre de meia hora, o que possibilitou ainda mais a troca de acusações.
“O Brasil vai-te aposentar”, afirmou Flávio Bolsonaro, enquanto Lula acusou o adversário de estar “preparado para mentir”.
“Não quero ficar perto de você. Quero distância de um miliciano”, disse o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), numa acusação a Flávio Bolsonaro, quando o senador lhe pediu para se aproximar dele.
“Tenho de ter cuidado para a carteira não ser roubada”, retorquiu Flávio Bolsonaro.
Num outro momento, Flávio Bolsonaro, que procurou chamar para si a responsabilidade e a melhoria na segurança pública, questionou por que 73 por cento dos prisioneiros votaram em Lula da Silva.
Ao que o Presidente brasileiro respondeu: “eu quero que votem cem por cento, até o teu pai. O teu pai pode votar em mim (…) ele te conhece e ele sabe que eu sou melhor que você”.
O pai de Flávio, Jair Bolsonaro, ex-Presidente brasileiro (2019-2023), foi condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
As acusações de corrupção incluíram referências mútuas ao caso Banco Master e um desafio de Lula para que ambos abrissem as contas bancárias e o sigilo telefónico, entregando os elementos aos presidentes do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral.
“Não tenho nada a esconder”, respondeu Flávio Bolsonaro, antes de acusar Lula de ter dinheiro “por fora”.
Lula agradeceu a mobilização nas ruas em defesa da democracia: “obviamente que o meu adversário deve ter-se assustado, porque ele está a ver as ruas tomadas neste país”.
O Presidente brasileiro defendeu o seu legado económico e disse que “o país está preparado para muito mais agora”.
Flávio Bolsonaro prometeu trabalhar para aumentar o rendimento dos brasileiros através de um Ministério da Prosperidade e voltou a apostar na segurança pública: “Quem tem de andar com medo na rua são os marginais”.
Na primeira volta, Flávio Bolsonaro obteve 47,03 por cento dos votos válidos, contra 45,16 por cento de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.
Foto: Folha Press



