O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) defendeu, esta quarta-feira (4), em Maputo, a necessidade de reforçar os mecanismos de redução de riscos associados aos investimentos em infra-estruturas, de modo a atrair maior participação do capital privado e diminuir a dependência dos recursos financeiros do Estado.
A posição foi apresentada pelo economista principal do BAD em Moçambique, Flávio Soares da Gama, durante a primeira edição do Fórum e Exposição de Investimento em Transportes e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026). Na intervenção, o representante do banco explicou que a viabilidade dos investimentos depende de três pilares: a preparação robusta dos projectos, a repartição adequada dos riscos e a utilização de mecanismos de financiamento capazes de mobilizar recursos privados.
Segundo Soares da Gama, um dos principais requisitos para atrair investidores consiste em assegurar que os projectos sejam devidamente preparados, incluindo estudos técnicos, financeiros e ambientais que permitam avaliar a sua viabilidade. “É preciso estudos de viabilidade, é preciso estudos de engenharia”, afirmou, acrescentando que, nos casos de concessões e parcerias público-privadas, deve existir um roteiro claro para o desenvolvimento dos projectos.
O economista destacou, igualmente, a importância dos instrumentos financeiros destinados a proteger os investidores contra riscos que possam comprometer a execução dos investimentos, apontando a garantia parcial de risco como um dos mecanismos disponibilizados pelo BAD. “Isso protege os investidores em eventuais situações de incumprimentos, riscos de políticas ou riscos relacionados com incumprimento regulatório, entre outros”, explicou.

O responsável referiu ainda a existência de instrumentos de garantia parcial de crédito, destinados a mitigar riscos de incumprimento de obrigações de pagamento. A par destes mecanismos, o BAD defende a utilização de modelos de financiamento combinado e de co-financiamento, que permitam reunir recursos de diferentes instituições e parceiros para apoiar a execução de projectos estruturantes.
Soares da Gama apontou o projecto de Nacala, na sua terceira fase, como exemplo da combinação de instrumentos financeiros e da participação de diferentes parceiros, destacando o contributo da Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA), do Governo e do BAD.
O economista sublinhou que o papel do BAD vai além da concessão directa de financiamento e abrange também a preparação dos projectos. “O banco não só dá financiamento, mas ajuda também a mobilizar recursos dos vários parceiros utilizando esses instrumentos”, afirmou.
A intervenção decorreu durante o painel “Gateway Moçambique: Oportunidades Financiáveis em Portos, Transporte Marítimo e Corredores”, moderado por Pedro Couto, da Couto Graça e Associados. Além de Soares da Gama, participaram Mónica Temporário, presidente da Women in Logistics Mozambique (WILA) e directora comercial da Civitas Partners Group; Onório Manuel, director executivo da MozParks; e Mohammed Mesbahi, director de desenvolvimento de negócios da Tanger Med Engineering, de Marrocos.
Sobre o evento
A primeira edição do TRANS-LOG MOZ 2026 decorre nos dias 4 e 5 de Novembro, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, reunindo governantes de países da África Austral, investidores nacionais e internacionais, instituições financeiras, empresários e operadores do sector. O encontro promove debates sobre oportunidades de investimento, modernização de portos, estradas e caminhos-de-ferro, financiamento de infra-estruturas e eliminação de barreiras ao comércio, com o objectivo de reforçar a competitividade de Moçambique e a integração económica regional.
Texto: Felisberto Ruco





