O Presidente da República, Daniel Chapo, defende que a economia moçambicana deve crescer a um ritmo superior ao da população, de modo a gerar riqueza, aumentar o rendimento das famílias e melhorar as condições de vida dos cidadãos. O chefe de Estado considera que o crescimento demográfico, actualmente próximo de 2,5% ao ano, representa uma oportunidade de desenvolvimento, desde que seja acompanhado pelo aumento da produtividade e da capacidade de criação de emprego.

A posição foi expressa esta quarta-feira, 4 de Novembro, durante a abertura da Conferência sobre População e Desenvolvimento em Moçambique, que decorre em Maputo, sob o lema “População, Transformação Económica e Bem-Estar: Políticas para Aproveitar o Dividendo Demográfico em Moçambique”. Promovido pelo Ministério da Planificação e Desenvolvimento (MPD), em colaboração com o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), o encontro pretende promover o diálogo e definir prioridades para transformar a dinâmica demográfica numa oportunidade de crescimento económico, criação de emprego e melhoria do bem-estar da população.

Segundo Daniel Chapo, a população moçambicana passou de cerca de 10 milhões de habitantes, em 1975, para aproximadamente 35 milhões, em 2026, podendo atingir os 60 milhões até 2050. Perante esta evolução, o Presidente considera que o País enfrenta a “responsabilidade histórica” de assegurar que a expansão demográfica seja acompanhada pelo crescimento da economia, pela criação de emprego, sobretudo para jovens e mulheres, e pelo reforço dos serviços públicos.

“O nosso desafio não é apenas fazer crescer a economia, é fazê-la crescer de forma sustentada a um ritmo superior ao crescimento da população”, afirmou o chefe de Estado, sublinhando que a expansão económica deve traduzir-se em mais postos de trabalho, melhores salários, maior produtividade e melhores condições de vida para os moçambicanos.

Daniel Chapo alertou, contudo, que o crescimento demográfico, por si só, não garante o desenvolvimento, salientando que o aproveitamento do dividendo demográfico exige investimentos na educação, na saúde e na formação profissional, bem como políticas públicas adequadas. “O dividendo demográfico não é uma riqueza que se recebe automaticamente. É uma oportunidade que se conquista com o trabalho árduo de todos nós”, declarou.

A pressão sobre o mercado de trabalho constitui, segundo o Presidente, um dos principais desafios do País, uma vez que mais de 500 mil jovens procuram anualmente entrar no mercado laboral. Para responder a esta realidade, o Governo aposta numa economia mais dinâmica, produtiva e diversificada, capaz de absorver a crescente força de trabalho e transformar o potencial da juventude em riqueza nacional.

Neste contexto, o chefe de Estado destacou a importância dos mecanismos de financiamento e apoio ao empreendedorismo, nomeadamente o Fundo de Desenvolvimento Local, que, em 2025, financiou mais de 18 mil projectos, aos quais foi atribuída a criação de mais de 43 mil postos de trabalho em todo o País. O Executivo pretende alargar estas oportunidades, sobretudo para jovens e mulheres, através de reformas destinadas a melhorar o ambiente de negócios, promover a industrialização e reforçar o financiamento da economia.

Daniel Chapo defendeu ainda o reforço do investimento em sectores como a agricultura, o turismo, a economia azul, a energia, a logística, os transportes e a indústria, de modo a aumentar a capacidade produtiva nacional. Sublinhou igualmente que a transformação económica deve responder aos desafios da urbanização, da expansão dos serviços públicos e da redução das desigualdades, reiterando que “nem sempre crescimento económico significa desenvolvimento económico”.

Texto: Alfredo Ubisse