A consultora Oxford Economics considera que os indicadores positivos do Orçamento Geral do Estado (OGE) de Angola para 2027 escondem uma posição orçamental frágil, marcada pela elevada dependência das receitas petrolíferas e da evolução dos mercados internacionais, sobretudo dos preços do crude.
“Os números globais ocultam a frágil posição orçamental de Angola”, afirmam os analistas da consultora, numa avaliação divulgada esta terça-feira, 3 de Novembro, salientando que o impacto dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão contribuiu para aliviar as pressões sobre a dívida angolana.
Segundo a Oxford Economics, o conflito no Médio Oriente impulsionou as receitas orçamentais e de exportação, melhorou o sentimento dos investidores e favoreceu as operações de gestão do passivo. Contudo, a consultora considera que esta melhoria evidencia a dependência de Angola das condições externas do mercado petrolífero.
“A melhoria repentina das perspectivas orçamentais de Angola na sequência do conflito no Médio Oriente destaca a dependência do país da evolução do mercado petrolífero externo”, sublinham os analistas. A consultora alerta que as perspectivas económicas e orçamentais do país poderão deteriorar-se caso as negociações de paz entre as partes envolvidas no conflito conduzam a uma queda acentuada dos preços do petróleo.
O Governo angolano apresentou, na semana passada, a proposta do OGE para 2027, avaliada em 37,34 biliões de kwanzas, equivalentes a cerca de 36,4 mil milhões de euros, representando um aumento de aproximadamente 3,99 mil milhões de euros face ao orçamento em vigor.
O documento “procura dar continuidade às grandes linhas do Plano de Desenvolvimento Nacional, mas ao mesmo tempo com prudência financeira face ao contexto externo de grandes desafios”, afirmou o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.
A proposta prevê uma despesa global de 36,40 mil milhões de euros e um crescimento económico de cerca de 5,5%. O sector petrolífero deverá continuar a desempenhar um papel central na economia, com uma expansão estimada em 7,1%. O Governo antecipa ainda a continuação da redução da inflação e estabelece um preço médio de referência de 71 dólares por barril de petróleo.
“A consultora alerta que as perspectivas económicas e orçamentais do país poderão deteriorar-se caso as negociações de paz entre as partes envolvidas no conflito conduzam a uma queda acentuada dos preços do petróleo”
Para 2027, estão igualmente previstas necessidades brutas de financiamento de aproximadamente 15,08 mil milhões de euros. Segundo José de Lima Massano, este montante poderá ser reduzido caso o preço do petróleo ultrapasse o valor de referência inscrito na proposta, à semelhança do que tem acontecido durante a execução do OGE de 2026.
Na análise da Oxford Economics, o orçamento para o próximo ano “reflecte uma orientação orçamental cautelosa, com as projecções de receitas e despesas do Estado assentes em pressupostos conservadores quanto aos preços do petróleo”. Apesar disso, a consultora considera que persistem riscos significativos para a política orçamental do país.
“O orçamento prudente esconde grandes riscos para a orientação fiscal do país, uma vez que a trajectória fiscal continua a depender da evolução do mercado petrolífero e das oportunidades de financiamento externo”, concluem os analistas.
A Oxford Economics prevê um preço médio de 63,43 euros por barril de Brent, significativamente acima dos 85,95 euros por barril considerados pelo Governo angolano na proposta do Orçamento Geral do Estado para 2027.
Fonte: Lusa





