O Millennium bcp reafirmou o seu compromisso de longo prazo com Moçambique, apesar da redução de 31% nos resultados da sua operação no País nos primeiros nove meses de 2026, para cerca de 17 milhões de euros, contra os 25 milhões registados no mesmo período de 2025. O banco atribui esta evolução à situação financeira nacional, mas garante que não pretende abandonar o mercado moçambicano.

O compromisso foi reiterado pelo presidente executivo (CEO) do Millennium bcp, Miguel Maya, numa entrevista à Forbes Portugal, à margem da apresentação dos resultados financeiros do banco. “O Millennium bcp investiu em Moçambique e não considera sair de lá. É um mercado absolutamente estratégico”, afirmou, acrescentando que o investimento no País é para continuar e desenvolver, apesar dos diferentes períodos de dificuldade já enfrentados.

O gestor explicou que o Millennium bcp mantém operações locais nos mercados onde está presente, incluindo Moçambique, onde detém uma participação de 66,69% no Millennium bim. Na Polónia, onde opera há 28 anos, possui uma participação de 50% num banco cotado. Sobre Moçambique, Miguel Maya considera que o período de maior tensão está a ser ultrapassado e que começam a surgir condições para uma evolução económica favorável.

Questionado sobre quando espera melhores resultados da operação moçambicana, o responsável afirmou que o negócio com clientes está a crescer, tanto na captação de recursos como na concessão de crédito. No entanto, explicou que o desempenho continua condicionado pelas provisões associadas à classificação de risco da dívida soberana. O gestor considera que a melhoria do rating do País e um eventual acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) poderão criar uma nova dinâmica positiva para a economia.

Segundo dados divulgados pelo Millennium bcp, a economia moçambicana mantém uma trajectória de crescimento gradual, com o Produto Interno Bruto (PIB) a aumentar 1,7% no segundo trimestre de 2026, em termos homólogos, impulsionado pelos sectores da agricultura e dos serviços. O banco refere ainda que o FMI reviu em alta a previsão de crescimento do PIB para 2026, para 1%, enquanto a inflação desacelerou para 6,3% em Setembro, embora permaneça acima dos níveis registados num passado recente.

Resultados positivos apesar da conjuntura

A nível global, o Millennium bcp registou um resultado líquido de cerca de 874 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026, um crescimento de 12,6% face ao período homólogo. Deste montante, aproximadamente 728 milhões de euros tiveram origem na actividade em Portugal, mais 11,2% do que no mesmo período de 2025. Miguel Maya classificou os resultados como “francamente positivos”, tendo em conta os desafios enfrentados durante os primeiros nove meses do ano e o elevado nível de incerteza.

Entre Janeiro e Setembro, o crédito a clientes aumentou 7,8%, para cerca de 66 mil milhões de euros, enquanto os recursos totais de clientes cresceram 7,1%, atingindo 116 mil milhões de euros. No mesmo período, as comissões subiram de cerca de 629 milhões para 660 milhões de euros, enquanto os custos operacionais aumentaram 36%, aproximando-se de 1,1 mil milhões de euros.

Sobre o equilíbrio entre a presença física e os serviços digitais, Miguel Maya afirmou que o banco não tem um plano geral para encerrar balcões e que procura manter uma relação equilibrada entre os dois canais. No entanto, alertou que as sucursais que não conseguirem atrair clientes e gerar negócio poderão fechar, admitindo, por outro lado, a abertura de novos balcões em zonas de crescimento urbano.

Em relação à crise no sector da habitação, o presidente executivo explicou que o banco está a reforçar a capacidade de análise de projectos imobiliários, incluindo propostas que inicialmente não reúnem condições para obter financiamento. Miguel Maya revelou ainda que estão a ser avaliadas soluções alternativas, nomeadamente através de cooperativas e parcerias entre autarquias e empresas privadas, acrescentando que algumas operações com cooperativas já receberam decisões favoráveis de financiamento.

Por fim, sobre o plano estratégico para 2025-28, o responsável afirmou que alguns dos principais objectivos já foram alcançados, levando o banco a rever em alta determinadas metas. Entre elas está o volume de negócios previsto para 2028, inicialmente fixado em 190 mil milhões de euros e agora elevado para 200 mil milhões de euros.