Moçambique apresenta uma taxa de prevalência do Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) de 12,5% na população adulta com idade igual ou superior a 15 anos, figurando entre os países mais afectados pela epidemia a nível mundial. As mulheres são as mais afectadas, com uma prevalência de 15%, contra 9,5% entre os homens.
“Moçambique apresenta uma das mais elevadas taxas de prevalência do VIH no mundo, sendo a doença uma das principais causas de morte e incapacidade no País”, afirmou Zainaba Andala, presidente do Gabinete Parlamentar de Prevenção e Combate ao VIH e SIDA, durante a apresentação dos dados em Maputo. A informação foi divulgada no âmbito da 4.ª Sessão Ordinária da Assembleia da República.
O informe apresentado abrange as actividades realizadas entre Maio e Outubro de 2026 e inclui experiências parlamentares, recomendações e perspectivas de actuação para reforçar o combate à epidemia. Segundo o relatório, a distribuição dos casos não é uniforme no território nacional, sendo as províncias de Maputo, Manica e Cabo Delgado as que registam actualmente os números mais elevados.
No domínio do tratamento, 130 050 pessoas iniciaram a terapia anti-retroviral (TARV) no primeiro semestre de 2026, das quais 5767 são crianças e 124 283 adultos. Com estes dados, a cobertura geral do tratamento atingiu 87%, embora persistam diferenças entre os grupos etários: 62% nas crianças dos zero aos 14 anos e 89% nos adultos com idade igual ou superior a 15 anos.
Na área da prevenção, 172 315 utentes beneficiaram da profilaxia pré-exposição (PrEP), uma medida preventiva que consiste na utilização de medicamentos por pessoas que não têm VIH para reduzir o risco de contrair o vírus. Além disso, cerca de 100% das mulheres grávidas que vivem com VIH e estão inscritas nas consultas pré-natais receberam tratamento anti-retroviral, uma medida destinada a prevenir a transmissão do vírus de mãe para filho.
Perante este cenário, Zainaba Andala defendeu o aumento progressivo do financiamento interno para reduzir a dependência de recursos externos e assegurar a continuidade das acções de prevenção, tratamento e acompanhamento das pessoas que vivem com VIH. “O País precisa de estar preparado para liderar, implementar e monitorar a resposta ao VIH e SIDA de forma independente a longo prazo”, sublinhou, defendendo igualmente o reforço das capacidades técnicas, institucionais e financeiras nacionais.
O Gabinete Parlamentar defendeu ainda reformas legislativas alinhadas com os direitos humanos e uma abordagem integrada para travar a epidemia até 2030. Durante o debate, os deputados apontaram a pobreza e a vulnerabilidade socioeconómica como factores que contribuem para a propagação do VIH, sobretudo entre mulheres e jovens em situação de pobreza extrema, que podem recorrer à troca de relações sexuais por alimentos ou outros bens essenciais.
Fonte: Agência de Informação de Moçambique (AIM)





