Uma tecnologia desenvolvida por um consórcio de empresas, universidades e centros de investigação portugueses permite identificar bactérias e genes associados à resistência aos antibióticos em cerca de 45 minutos, reduzindo significativamente o tempo necessário para obter informações sobre determinadas infecções.

Denominado InviDx, o dispositivo foi desenvolvido no âmbito do projecto SMARTgNOSTICS, e é capaz de detectar, numa amostra de urina, até dez alvos diferentes, incluindo bactérias e genes relacionados com a resistência antimicrobiana.

Actualmente, com a nova tecnologia, a identificação de bactérias responsáveis por infecções urinárias e a avaliação da sua sensibilidade aos antibióticos podem exigir entre 48 e 72 horas, através de exames convencionais, como a urocultura (exame laboratorial padrão-ouro para detectar e identificar bactérias ou fungos no trato urinário).

Com o InviDx, os resultados iniciais podem ser obtidos em aproximadamente três quartos de hora, sem necessidade de aguardar pela multiplicação das bactérias em laboratório. O equipamento utiliza técnicas de análise molecular para identificar material genético de microrganismos e mecanismos de resistência. Após a preparação da amostra e extracção do ADN, são aplicados reagentes específicos que permitem detectar os alvos genéticos definidos.

Apesar da rapidez, a identificação de genes de resistência não determina, por si só, qual o antibiótico mais adequado para cada paciente. Os resultados deverão ser interpretados por profissionais de saúde e, quando necessário, complementados com outros exames laboratoriais.

Nesta fase, o InviDx encontra-se disponível exclusivamente para investigação, não estando ainda autorizado como dispositivo de diagnóstico clínico. O primeiro estudo clínico aprovado com a tecnologia será realizado na Unidade Local de Saúde da Cova da Beira, em Portugal, com incidência nas infecções do trato urinário.

O consórcio pretende alargar futuramente a aplicação da plataforma à identificação de agentes associados a infecções respiratórias, sépsis e infecções sexualmente transmissíveis. A tecnologia poderá também ser utilizada na monitorização da resistência aos antibióticos em águas residuais.

Fonte: Sapo