As empresas moçambicanas ainda não aproveitam plenamente as oportunidades criadas pela tecnologia para melhorar os seus negócios, reduzir custos e oferecer serviços mais eficientes. A resistência à mudança e a manutenção de processos tradicionais estão entre os factores que limitam essa transformação, segundo responsáveis da Raxio Mozambique e da GoFuel.

A questão foi discutida esta quinta-feira, 5 de Novembro, durante um painel sobre inovação e transformação de modelos de negócio, no âmbito do Synapse Strategy Summit 2026, onde os participantes defenderam que a tecnologia deve ser utilizada para melhorar a forma como as empresas trabalham e prestam serviços, e não apenas para informatizar procedimentos existentes.

Emídio Amadebai, CEO da Raxio Mozambique, destacou a importância dos centros de dados para o desenvolvimento tecnológico, considerando que estas infra-estruturas permitem alojar aplicações, plataformas digitais e soluções de Inteligência Artificial. Na sua perspectiva, Moçambique já dispõe desta capacidade, que ainda precisa de ser melhor aproveitada pelo mercado.

O responsável alertou, contudo, que “não podemos dizer que estamos a digitalizar o Estado, ou a empresa, quando estamos simplesmente a digitalizar as rotinas ou a burocracia”.

Para Amadebai, as ferramentas digitais devem permitir mudanças concretas na qualidade dos serviços, na eficiência das organizações e na experiência dos consumidores. Como exemplo, referiu os serviços de água pré-paga, observando que a introdução de mecanismos digitais de pagamento não elimina necessariamente as dificuldades dos utilizadores quando estes continuam dependentes de procedimentos adicionais para aceder ao serviço.

Na mesma sessão, Edilson Paco, director comercial da GoFuel, apresentou uma experiência de inovação na indústria de combustíveis, tradicionalmente marcada pela concorrência baseada nos preços e na disponibilidade dos produtos.

Segundo explicou, a empresa desenvolveu uma aplicação que reúne diferentes redes de abastecimento numa única plataforma, permitindo aos clientes aceder a vários operadores sem depender de cartões separados para cada rede.

Paco acrescentou que a criação da aplicação resultou da identificação dos problemas dos clientes no sector. Defendeu que as empresas precisam de conhecer o funcionamento das actividades em que pretendem inovar e compreender esses problemas antes de desenvolver novas soluções.

O responsável apontou ainda a resistência dos trabalhadores à utilização de novos sistemas como um dos principais obstáculos à transformação. “Precisamos de estar próximos dos nossos clientes, dar-lhes formação e apoio, e até realizar projectos-piloto. Não começamos de zero a cem”, disse.

Na sua avaliação, a implementação gradual permite que os utilizadores compreendam as ferramentas e ganhem confiança nas novas soluções.

Texto: Germano Ndlovo