Cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, desenvolveram um espectrómetro óptico compacto (instrumento científico utilizado para medir a variação de uma característica física), construído em nitreto de silício capaz de identificar materiais, alimentos e medicamentos, além de demonstrar potencial para monitorizar indicadores de saúde, incluindo a glicose, sem recolha de sangue.
O dispositivo, denominado espectrómetro convolucional, tem dimensões na escala do centímetro e utiliza um método que processa fisicamente a luz através de uma operação matemática conhecida como convolução. Ao contrário de outras abordagens, que dispersam a luz ou recorrem a cálculos computacionais para reconstruir o espectro, esta técnica procura obter medições com elevada precisão e menor necessidade de processamento.
Segundo os investigadores, o sistema funciona numa ampla faixa do infravermelho próximo e consegue efectuar medições em menos de um segundo. O seu desenho permite ainda aumentar a resolução através da adição de componentes, sem necessidade de substituir todo o equipamento.
Nos testes, o espectrómetro distinguiu diferentes materiais e produtos, incluindo plásticos, medicamentos, café, farinha e chá. A equipa também demonstrou a capacidade de medir concentrações em soluções com uma precisão na ordem dos 0,01%, de acordo com os resultados divulgados.
Uma das aplicações exploradas foi a monitorização de indicadores biomédicos, como a humidade da pele, o álcool, o lactato e a glicose. Num dos participantes, o dispositivo acompanhou as variações da glicose durante períodos prolongados, demonstrando potencial para futuras tecnologias de monitorização contínua sem a perfuração da pele.
Apesar dos resultados, a utilização desta tecnologia na monitorização clínica da glicose ainda exigirá validação adicional antes de poder ser considerada uma alternativa aos métodos médicos actualmente disponíveis.
O equipamento também demonstrou resistência a temperaturas entre -20 °C e 80 °C, característica que poderá favorecer a sua utilização em diferentes ambientes, desde instalações industriais até dispositivos portáteis.
A equipa liderada por Qixiang Cheng considera que a combinação de dimensões reduzidas, e menor exigência computacional poderá facilitar a integração da espectrometria em tecnologias de uso quotidiano. Entre as aplicações potenciais estão o controlo da qualidade dos alimentos em tempo real, a monitorização ambiental, a análise de materiais em linhas de produção e o acompanhamento de indicadores de saúde.
Fonte: Zap





