A mineradora Kenmare Resources prevê produzir e exportar pelo menos quatro mil toneladas anuais de monazita (mineral que contém elementos de terras raras utilizados no fabrico de ímanes permanentes e em tecnologias avançadas) em Moçambique. A empresa pretende iniciar, junto do Governo, o processo de licenciamento para a exploração deste recurso.

Segundo escreveu a Lusa, a informação foi avançada por Gareth Clifton, gerente da Kenmare em Moçambique, durante a Conferência sobre Adição de Valor com Base em Minerais e Recursos Energéticos Disponíveis, que decorre desde segunda-feira, 19 de Outubro, em Nacala, província de Nampula, no norte do País. O responsável revelou que a empresa pretende avançar com a exploração após concluir uma avaliação preliminar da viabilidade do projecto.

Segundo Gareth Clifton, o pré-estudo de viabilidade foi concluído há duas semanas e os resultados iniciais apontam para condições favoráveis à exploração. “Os resultados iniciais indicam que o projecto é viável, por isso demos início a um estudo de viabilidade definitivo”, afirmou, reconhecendo, contudo, que ainda existem questões económicas e metodológicas por resolver.

Apesar dos resultados preliminares, a empresa considera que a logística será o principal obstáculo à concretização do projecto. Gareth Clifton apontou as dificuldades de transporte do minério da província de Nampula para o Porto de Nacala, devido ao estado degradado das estradas e aos longos períodos de chuva, que podem comprometer a circulação de mercadorias.

O responsável explicou ainda que a monazita é classificada como material radioactivo, estando sujeita a restrições e controlos específicos. A empresa ainda não dispõe de equipamento adequado para assegurar o seu transporte seguro. O plano prevê o transporte por via terrestre até ao Porto de Nacala, de onde o minério seguirá em navios porta-contentores.

Logística e licenciamento condicionam avanço do projecto

“Contudo, a viabilidade económica – especialmente diante das dificuldades de acesso rodoviário durante a estação chuvosa – representa o maior obstáculo para a implementação do projecto, pois ficaríamos, de certa forma, reféns das condições climáticas”, explicou Gareth Clifton. Para o gerente da Kenmare, é fundamental garantir condições de transporte que permitam manter o escoamento do minério ao longo de todo o ano.

“Precisámos de garantir um fluxo constante de transporte até Nacala, não podemos dar-nos ao luxo de ficar três ou quatro meses por ano sem conseguir transportar os contentores. Como as chuvas impedem o tráfego nas estradas, esse acaba sendo o maior entrave de todos”, acrescentou o responsável. Quanto ao licenciamento, afirmou que a empresa conhece as exigências aplicáveis à exploração e ao transporte deste tipo de recurso e espera iniciar o processo junto do Governo, contando com flexibilidade na sua tramitação.

A Kenmare explora a mina de Moma, na província de Nampula, desde 2007, sendo responsável por cerca de 6% da oferta mundial de matérias-primas de titânio. A sua produção destina-se à indústria internacional de tintas, plásticos e revestimentos cerâmicos. Este mês, a empresa anunciou que a produção de ilmenite aumentou 12% no terceiro trimestre, para 233,6 mil toneladas, o equivalente a um crescimento de 59% face ao trimestre anterior.

Apesar do aumento da produção no terceiro trimestre, a Kenmare reviu em baixa a previsão anual de produção de ilmenite, fixando-a entre 710 mil e 750 mil toneladas. A revisão deveu-se a atrasos na entrada em funcionamento da unidade WCP A. Na mesma actualização operacional, a empresa confirmou que mantém conversações com a International Resources Holding (IRH), dos Emirados Árabes Unidos, sobre uma eventual aquisição da mineradora, e reiterou que a renovação do Acordo de Implementação com o Estado continua a ser uma “prioridade fundamental”.