A Monte Muambe, Limitada, prevê investir 298,3 milhões de dólares norte-americanos na implementação do projecto de exploração de fluorite e terras raras de Monte Muambe, na província de Tete, dos quais 283,3 milhões de dólares serão destinados ao desenvolvimento da componente de terras raras e 15 milhões de dólares à unidade de processamento de fluorite. Projecto prevê produzir 15 mil toneladas anuais de concentrado de terras raras e instalar uma unidade de processamento de fluorite para fabricar ácido localmente. Empresa estima reservas de 13,6 milhões de toneladas de terras raras e identifica novos alvos de pesquisa.
Os números foram apresentados por Luís Veloso, representante da Monte Muambe, durante uma exposição sobre o desenvolvimento do projecto, na qual detalhou as reservas identificadas, as metas de produção, as tecnologias de processamento e as perspectivas de transformação local dos recursos minerais.
Segundo Veloso, o empreendimento encontra-se numa fase de estudos técnicos e de engenharia, com trabalhos destinados a definir a configuração das unidades industriais e os custos de implementação. A empresa estima gastar entre 12 milhões e 18 milhões de dólares na fase de estudos, embora parte deste montante já tenha sido aplicada em trabalhos de pesquisa e desenvolvimento.
Na componente das terras raras, minério bastante concorrido no mercado internacional, a empresa anunciou recursos estimados em 13,6 milhões de toneladas, com possibilidade de aumento à medida que forem avaliados outros alvos de pesquisa, nomeadamente os designados por Target 11, Target 3 e Target 9.
O plano de produção prevê a instalação de uma unidade de processamento que deverá integrar as operações de extracção, britagem, processamento e beneficiação, com capacidade para produzir 15 mil toneladas anuais de concentrado de carbonato misto de terras raras, designado MREC.
Numa segunda etapa, o material será submetido a processamento hidrometalúrgico, com o objectivo de produzir aproximadamente 1.140 toneladas por ano de óxidos de terras raras considerados de maior interesse industrial, entre os quais os de neodímio e praseodímio, utilizados em tecnologias que dependem de materiais magnéticos de elevado desempenho.
A empresa pretende, numa fase posterior, avançar para a separação e refinação destes óxidos em território nacional. Para esse efeito, estão em curso estudos sobre a configuração da unidade industrial e a metodologia de processamento a adoptar.
A concretização desta etapa poderá representar uma mudança importante no perfil económico do projecto, ao permitir que uma parte do valor acrescentado associado às terras raras seja capturada dentro do país, em vez de se limitar à venda de concentrados minerais.
Contudo, a instalação das unidades industriais, a viabilidade técnica das operações e a capacidade de comercialização dos produtos finais continuam a depender da conclusão dos estudos e da mobilização do investimento previsto.
15 milhões de dólares para processamento e produção de ácido a base Fluorite

A fluorite constitui a segunda componente central do empreendimento. De acordo com os dados apresentados por Veloso, o recurso definido na zona principal está estimado em 3,48 milhões de toneladas, com um teor de 20,6%.
Para a componente principal da fluorite, o projecto prevê uma vida útil de aproximadamente dez anos e uma capacidade de produção de 70 mil toneladas anuais de produto de grau ácido, conforme os dados apresentados durante a exposição.
A empresa estima investir 15 milhões de dólares na construção da unidade de processamento desta componente, enquanto os estudos de desenvolvimento deverão absorver entre dois milhões e 2,5 milhões de dólares.
A estratégia passa por produzir fluorite com um teor de 97%, destinada a aplicações industriais, e estudar a possibilidade de transformar o mineral em ácido fluorídrico localmente.
Veloso explicou que a localização da unidade de produção química deverá ser definida tendo em conta as exigências logísticas e a necessidade de evitar o transporte de produtos químicos intermédios por longas distâncias.
“Não podemos transportar químicos do interior para a costa”, explicou, defendendo que a transformação deverá ocorrer numa localização adequada às condições de processamento e de escoamento do produto.
A empresa está a avaliar possibilidades de instalação na Beira ou em Caia, segundo a apresentação, estando os estudos de engenharia a decorrer para determinar a configuração mais adequada.
A produção local de ácido poderá aumentar o valor comercial do projecto, mas exigirá investimentos, tecnologia especializada e condições operacionais compatíveis com as exigências de uma unidade química industrial.
A componente das terras raras absorve a maior parte do investimento, devido à complexidade tecnológica e à necessidade de instalar mais de uma unidade de processamento. A fluorite, por sua vez, apresenta uma configuração industrial relativamente mais delimitada, embora a produção de derivados químicos acrescente exigências técnicas e financeiras.
O representante da empresa sublinhou que os custos poderão ser ajustados à medida que os estudos avançados produzirem resultados mais precisos.
Projecto procura aumentar participação moçambicana
A Monte Muambe afirma estar a apostar na contratação de mão-de-obra nacional e na transferência de conhecimentos técnicos. Segundo Veloso, a equipa envolvida no desenvolvimento do empreendimento é maioritariamente moçambicana e inclui mulheres recrutadas tanto a nível local, na província de Tete, como noutras regiões do país.
A componente de formação e transferência de tecnologia poderá ser determinante para a criação de competências nacionais num segmento industrial que exige conhecimentos especializados em geologia, engenharia mineira, metalurgia e processamento químico.
Ainda assim, a dimensão efectiva dos benefícios económicos dependerá da capacidade de o projecto gerar emprego qualificado, desenvolver fornecedores nacionais e estabelecer ligações com outras actividades industriais.
Grafite entra na carteira de recursos em avaliação
Além das terras raras e da fluorite, a empresa está a desenvolver estudos preliminares sobre grafite, com a intenção de avaliar o seu potencial como uma terceira componente do empreendimento.
Veloso explicou que a pesquisa ainda se encontra numa fase inicial, mas poderá contribuir para diversificar a base de recursos do projecto. O representante referiu que a empresa procura aprofundar o conhecimento geológico do depósito, tendo em vista a eventual definição de reservas e a avaliação da sua viabilidade económica.
A existência de potencial geológico, contudo, não equivale à confirmação de reservas economicamente exploráveis. A eventual integração da grafite no projecto dependerá dos resultados dos estudos técnicos e económicos.
Questionado sobre a idade geológica do depósito de Monte Muambe, Veloso afirmou que a empresa aguarda a conclusão de um estudo específico sobre a sua génese e idade.
Segundo explicou, em 2023 foi lançada, através da empresa mãe em Londres, uma oportunidade de investigação científica para estudar a formação e a idade do depósito. O trabalho acabou por ser atribuído a um investigador escocês, depois de, segundo Veloso, não terem surgido candidaturas nacionais.
Até à conclusão da investigação, a empresa continua a trabalhar com a estimativa de idade apresentada durante a exposição, situada entre 70 milhões e 200 milhões de anos.
Sobre a possibilidade de explorar outros depósitos de terras raras em Moçambique, Veloso afirmou que a prioridade actual é o desenvolvimento de Monte Muambe, embora exista orientação para retomar a avaliação de outros alvos, em coordenação com os titulares das respectivas licenças.



