O Governo criou a Agência de Desenvolvimento Integrado do Sul (Adisul), uma nova instituição pública destinada a promover e mobilizar investimentos nacionais e estrangeiros nas províncias de Maputo, Gaza e Inhambane, com o objectivo de dinamizar a economia regional, estimular a criação de emprego e reforçar a participação das comunidades locais nos benefícios dos grandes projectos de desenvolvimento.

De acordo com a Lusa, a medida consta de um decreto recentemente aprovado pelo Conselho de Ministros, que estabelece a criação da Adisul como instituto público responsável pela coordenação de programas e projectos de desenvolvimento económico e social na região sul de Moçambique.

Segundo o diploma, a nova entidade terá como uma das suas principais competências “promover, mobilizar, coordenar e monitorar investimentos públicos e privados, nacionais e estrangeiros”, procurando criar condições para o aproveitamento do potencial económico das três províncias. A agência deverá igualmente “promover o conteúdo local e fortalecer a participação das comunidades locais nos benefícios resultantes da implementação dos projectos de desenvolvimento”, assegurando uma maior ligação entre os investimentos realizados e a melhoria das condições de vida das populações.

Entre as responsabilidades atribuídas à Adisul destaca-se ainda a promoção do envolvimento dos megaprojectos no desenvolvimento das comunidades abrangidas, através de iniciativas que permitam aumentar os benefícios económicos e sociais associados à exploração dos recursos existentes na região. A nova instituição ficará também encarregada de identificar oportunidades de investimento, mobilizar recursos financeiros e conceber programas de desenvolvimento regional, com particular atenção ao fortalecimento de cadeias de valor consideradas estratégicas para a economia do sul do País.

Neste âmbito, o diploma prevê que a agência possa promover a criação de zonas económicas especiais, zonas francas industriais, parques industriais e projectos agro-industriais, além de apoiar iniciativas nos sectores da agricultura, turismo, pescas, logística, recursos minerais e economia azul.

O Executivo pretende, desta forma, reforçar a competitividade regional, estimular o emprego, aumentar a produtividade e promover a diversificação das actividades económicas, através de uma maior articulação entre investimentos públicos e privados. A criação da Adisul ocorre num contexto de desafios económicos e climáticos para a região sul, particularmente afectada por fenómenos meteorológicos extremos que têm provocado perdas humanas e danos em infra-estruturas e actividades produtivas.

As províncias de Maputo, Gaza e Inhambane estiveram entre as mais afectadas pelas cheias registadas em Janeiro de 2026. Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), a última época chuvosa, entre Outubro de 2025 e Abril de 2026, provocou 311 mortos e afectou mais de um milhão de pessoas em Moçambique.

A criação da Adisul ocorre num contexto de desafios económicos e climáticos para a região Sul, particularmente afectada por fenómenos meteorológicos extremos

A região Sul enfrenta igualmente perspectivas de seca severa associada ao fenómeno climático El Niño, cujos impactos poderão prolongar-se até meados de 2027, colocando novos desafios à produção agrícola, à segurança alimentar e ao desenvolvimento económico regional. A Adisul, que terá a sua sede na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, contará com autonomia administrativa, financeira e patrimonial, dispondo de fontes próprias de receitas para assegurar o funcionamento e a execução das suas actividades.

O decreto estabelece que a instituição poderá beneficiar de receitas provenientes de 25% do imposto de produção, 25% do imposto de superfície, 25% da taxa de uso e aproveitamento da terra (DUAT) e 25% das taxas de inspecção, reinspecção e trânsito de produtos agropecuários, florestais e faunísticos arrecadadas na região. O diploma prevê ainda a atribuição de 1% da taxa de concessão da exploração de recursos naturais e hidrocarbonetos, reforçando o modelo de financiamento associado ao aproveitamento económico dos recursos existentes nas províncias abrangidas.

Relativamente à estrutura de governação, a coordenação da Adisul ficará sob responsabilidade de um conselho presidido pelo ministro que tutela a área da Planificação e Desenvolvimento, integrando representantes de diferentes sectores governamentais e os governadores das províncias de Maputo, Gaza e Inhambane.

A gestão executiva será assegurada por um conselho composto por três administradores, responsáveis pela condução das actividades da instituição e pela implementação das orientações estratégicas definidas. Com a criação da Adisul, o Governo pretende estabelecer um mecanismo de coordenação do desenvolvimento regional, capaz de promover a articulação entre os investimentos de grande dimensão, as oportunidades económicas locais e as necessidades das comunidades.

A iniciativa enquadra-se na estratégia governamental de desenvolvimento integrado, procurando transformar o potencial económico das três províncias em oportunidades de investimento, emprego e melhoria das condições de vida das populações.