A Namíbia está a reforçar a aposta no processamento local de minerais críticos, com a Presidente da República, Netumbo Nandi-Ndaitwah, a pressionar os investidores estrangeiros a construírem refinarias e fábricas no país. A medida pretende aumentar o valor acrescentado da exploração mineira e reforçar a posição do país nas cadeias de abastecimento globais, escreveu o Further Africa.
A nova orientação exige que os projectos de mineração incluam instalações de processamento em território namibiano. Netumbo Nandi-Ndaitwah defendeu igualmente parcerias com empresas nacionais e confirmou que o Governo está a integrar este princípio na legislação, tornando o processamento local uma condição para o investimento.
A Namíbia produz urânio e possui depósitos de lítio, terras raras, cobre e grafite, recursos importantes para o fabrico de veículos eléctricos, o desenvolvimento de energias renováveis e a indústria avançada. Em 2023, o país restringiu as exportações de lítio não processado e de alguns outros minerais críticos, no âmbito da política de criação de valor dentro das suas fronteiras.
O Governo propôs também mecanismos para aumentar a participação de cidadãos namibianos em novos projectos mineiros. Contudo, a Câmara de Minas da Namíbia alertou que a viabilidade económica do processamento depende dos custos da electricidade, do preço da água, da logística e da evolução dos preços internacionais das matérias-primas.
Estas condições são determinantes para os investidores, que precisam de conhecer as regras sobre participação accionista, exportações, prazos de licenciamento e obrigações de processamento antes de avançarem com grandes projectos. Para as empresas mineiras, a nova política poderá exigir planos integrados que liguem a extracção à concentração, à refinação ou ao fabrico de produtos.
A mudança poderá beneficiar também outros sectores, criando oportunidades para empresas de engenharia fornecerem equipamentos de processamento e para empresas de serviços públicos e produtores independentes de energia responderem ao aumento da procura industrial. Neste contexto, destaca-se a meta da NamPower de garantir que 70% da electricidade do país provenha de fontes renováveis até 2030, o que poderá apoiar actividades de processamento com elevado consumo energético.
As infra-estruturas de transporte e logística também poderão beneficiar desta política, incluindo os portos, as ligações ferroviárias, os armazéns e os serviços especializados. Por sua vez, os fabricantes locais poderão fornecer componentes e prestar serviços às minas e às unidades de processamento, ampliando a participação das empresas nacionais na actividade mineira.
Segundo uma análise da Further Africa, a política está a transferir as discussões sobre investimento do desenvolvimento de minas para o planeamento de toda a cadeia de valor. Assim, a Namíbia procura atrair investimento não apenas para a exploração dos seus recursos minerais, mas também para as actividades de transformação e produção associadas.





