A Montepuez Ruby Mining (MRM), que explora rubis em Cabo Delgado, arrecadou 52 milhões de dólares num leilão internacional realizado entre 5 e 16 de Outubro. Os resultados, divulgados esta segunda-feira (19) pela Gemfields, reflectem, segundo o grupo, uma procura sólida pelas pedras moçambicanas, apesar dos constrangimentos que têm afectado a produção.

Segundo um comunicado divulgado nesta segunda-feira (19), pela Gemfields, accionista maioritária da MRM, foram vendidos 90 dos 99 lotes disponibilizados, correspondentes a 90,9% do total. Dos 102 099 quilates colocados à venda, foram comercializados 92 153, cerca de 90% da quantidade oferecida, a um preço médio de 564,54 dólares por quilate.

Adrian Banks, director de Produto e Vendas da Gemfields, destacou a procura pelos diferentes tamanhos e qualidades apresentados, com preços particularmente fortes para os rubis maiores e de qualidade superior.

O responsável explicou que o menor volume disponibilizado reflecte tanto as dificuldades operacionais registadas durante o ano como a alteração da estratégia comercial. Desde Junho, a empresa realiza também leilões “Trade Select”, nos quais determinadas categorias de rubis são vendidas separadamente.

Esta organização permite ajustar o calendário e a composição das vendas à produção disponível e à procura. O próximo leilão neste formato está previsto para Dezembro. A Gemfields ressalva que os resultados das diferentes sessões não são directamente comparáveis, devido às variações no tamanho, na cor e na pureza das pedras.

Os lotes estiveram disponíveis para observação presencial em Banguecoque, na Tailândia, seguindo-se a apresentação de propostas numa plataforma electrónica que permitiu a participação de compradores de vários países.

A totalidade das receitas será repatriada para a MRM, em Moçambique. Segundo a Gemfields, os royalties devidos ao Estado serão pagos sobre o valor integral das vendas.

O leilão ocorre após um período de dificuldades na operação de Namanhumbir, no distrito de Montepuez. Em comunicações anteriores, o grupo identificou a recuperação de rubis abaixo das expectativas, os problemas na estabilização da segunda unidade de processamento, a mineração ilegal, os riscos de segurança e os atrasos nos reembolsos de IVA como factores de pressão sobre a actividade.

No balanço divulgado a 30 de Setembro, a Gemfields indicou que a segunda unidade de processamento, conhecida como PP2, estava já em grande medida operacional e que a recuperação de rubis apresentava sinais de melhoria. Advertiu, contudo, que ainda era cedo para concluir que esses progressos seriam sustentáveis.

A MRM é detida em 75% pela Gemfields e em 25% pela empresa moçambicana Mwiriti Limitada.