Maputo, 19 Out (AIM) – O Governo moçambicano prevê investir cerca de 235 milhões de dólares norte-americanos, equivalentes a mais de 15 mil milhões de meticais, na adaptação do sector da saúde às mudanças climáticas, com o objectivo de evitar cerca de 30 mil mortes e mais de 1,6 milhões de anos de vida perdidos.
O investimento está previsto num roteiro destinado a reforçar a resiliência do Sistema Nacional de Saúde face aos efeitos das mudanças climáticas, cada vez mais frequentes e intensos no país.
Os dados foram avançados hoje, em Maputo, pelo ministro da Saúde, Ussene Isse, na abertura da Terceira Conferência sobre o Impacto das Mudanças Climáticas na Saúde.
“É uma declaração inequívoca de que Moçambique não será uma vítima passiva das mudanças climáticas, mas construirá um sistema de saúde que proteja os cidadãos, fortaleça a economia e contribua para a estabilidade regional”, afirmou o governante.
Na ocasião, Isse considerou que as mudanças climáticas representam uma das maiores ameaças à saúde pública na actualidade, devido ao aumento da frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos, nomeadamente ciclones, cheias, secas e ondas de calor.
Segundo explicou, estes fenómenos afectam directamente o funcionamento dos serviços de saúde e contribuem para o aumento dos riscos de surtos de doenças, como a cólera, além de agravarem a desnutrição, os problemas de saúde mental e outras condições clínicas.
Moçambique é considerado um dos países mais vulneráveis aos eventos climáticos extremos, tendo registado, ao longo dos últimos anos, ciclones, cheias e outros fenómenos que provocaram perdas de vidas humanas, destruição de infra-estruturas e interrupção de serviços essenciais.
Entre os eventos que afectaram o país figuram os ciclones Idai, Kenneth, Eloise, Freddy, Chido, Dikeledi e Gezani, além das cheias que atingiram a região sul no corrente ano.
Entretanto, o ministro anunciou uma conquista para o sector da saúde, com o reconhecimento do Laboratório Nacional de Referência da Tuberculose, do Instituto Nacional de Saúde (INS), como membro da rede global de laboratórios supranacionais de referência para esta doença.
“Na última sexta-feira, dia 16 de Outubro, a Organização Mundial da Saúde comunicou que o Laboratório Nacional de Referência da Tuberculose do Instituto Nacional de Saúde passa a integrar a rede global de laboratórios supranacionais da tuberculose”, declarou.
De acordo com Isse, a designação representa um reconhecimento internacional da qualidade técnico-científica do laboratório moçambicano no diagnóstico da tuberculose e atribui ao país maior responsabilidade no apoio técnico especializado a outras nações.
O governante destacou que a integração na rede constitui também um avanço para Moçambique e para o continente africano, que passa a contar com mais laboratórios de referência nesta área, na sequência do reconhecimento atribuído a Moçambique e ao Ruanda.
Acrescentou que o resultado decorre dos investimentos do Governo no reforço das capacidades nacionais de diagnóstico e contribui para consolidar o posicionamento do país nos domínios da investigação e da qualidade dos serviços de saúde.
No que respeita à resposta do sector da saúde às mudanças climáticas, Isse reiterou que a exposição a ciclones, cheias, secas e ondas de calor compromete a prestação de cuidados de saúde e agrava os riscos de epidemias, desnutrição crónica, doenças não transmissíveis, problemas de saúde mental e traumatismos.
A Terceira Conferência sobre o Impacto das Mudanças Climáticas na Saúde constitui, igualmente, uma oportunidade para a partilha de evidências científicas e experiências nacionais, com vista a orientar as políticas de adaptação do sector e a preparar a delegação moçambicana para as discussões internacionais sobre clima e saúde.
O encontro decorre de 19 a 20 de Outubro, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, na cidade de Maputo, reunindo representantes de instituições públicas, parceiros de cooperação, organizações da sociedade civil, investigadores nacionais e internacionais e profissionais de saúde, entre outros participantes.



