Os países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) acordaram, na quinta-feira, 15 de Outubro, acelerar a libertação das reservas de emergência ainda por disponibilizar no âmbito do compromisso assumido em Março. A operação inclui mais de 20 milhões de barris de gasóleo, que deverão chegar ao mercado o mais rapidamente possível, para reforçar a oferta e aliviar a pressão sobre os preços.
Segundo o comunicado da organização, já foram libertados cerca de 330 milhões de barris, permanecendo aproximadamente 100 milhões por disponibilizar. Alguns países ultrapassaram os volumes inicialmente prometidos e outros pretendem fazê-lo, pelo que o total deverá superar os 400 milhões de barris previstos no compromisso original.
Em Março, os membros comprometeram-se a disponibilizar mais de 400 milhões de barris de petróleo bruto e derivados, em resposta às perturbações no abastecimento associadas à crise no Estreito de Ormuz.
A decisão de acelerar as entregas surge numa altura em que os preços do gasóleo atingem máximos históricos em vários mercados, devido às interrupções no fornecimento provocadas pela guerra no Irão e pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia. A subida dos combustíveis agrava os riscos de inflação e aumenta os encargos das famílias e das empresas.
Apesar do anúncio, Abhishek Kumar, analista da Sparta Commodities, considerou que faltam detalhes sobre a execução da medida. Em declarações à Reuters, observou que os mais de 20 milhões de barris de gasóleo parecem corresponder à antecipação de compromissos existentes, em vez de representarem volumes adicionais.
A AIE incentivou também os países com capacidade de produção petrolífera e refinação a aumentarem a oferta de petróleo bruto e derivados, sobretudo gasóleo, e sublinhou a importância da livre circulação do comércio energético.
Entretanto, o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, pressionou os países da União Europeia a recorrerem às suas reservas, sob ameaça de uma eventual proibição das exportações norte-americanas de gasóleo. A pressão ocorre antes das eleições intercalares de 3 de Novembro, num esforço para reduzir os preços dos combustíveis.
O Departamento de Energia dos EUA afirmou que estão em análise e em curso novas libertações de reservas, com prioridade para o gasóleo. Um porta-voz acrescentou, contudo, que a administração norte-americana continua a exigir aos países europeus o cumprimento dos compromissos anteriormente assumidos.
Espanha anunciou, por sua vez, que disponibilizará 4,4 milhões de barris das reservas estratégicas durante Outubro. Até ao anúncio, tinha libertado 3,7 milhões dos 11,5 milhões de barris prometidos em Março.
Segundo a Reuters, os governos europeus discutiram este mês uma proposta francesa para libertar 50 milhões de barris de gasóleo e outros 50 milhões de barris de petróleo bruto das reservas dos membros da AIE.
Fonte: Engineering News





