O Governo pretende acelerar a industrialização verde para aumentar a produção nacional, atrair investimento e criar emprego, apostando nas energias renováveis e em tecnologias mais sustentáveis para reforçar a competitividade das empresas.

A intenção foi reafirmada durante um encontro realizado em Maputo, que reuniu representantes do Executivo, da Comissão Económica das Nações Unidas para África (CEA), da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).

Na abertura, a secretária de Estado da Indústria, Custódia Paunde, defendeu que a sustentabilidade deve ser encarada como uma oportunidade para modernizar a produção e diversificar a economia.

“A industrialização continua sendo um objectivo estratégico central, prioritário e inegociável na agenda de desenvolvimento de Moçambique. Nossa ambição é expandir a capacidade produtiva nacional, aumentar o valor agregado local, diversificar a economia, criar empregos dignos e fortalecer a participação das empresas moçambicanas nas cadeias de valor regionais e globais”, afirmou.

Segundo uma nota divulgada pelo Club of Mozambique, a governante destacou o potencial do País nas energias renováveis e a importância de transformar os investimentos em tecnologias limpas em ganhos de produtividade, maior segurança energética e novas oportunidades industriais.

O Executivo defendeu também que os benefícios da transição verde devem chegar às mulheres, aos jovens, às micro, pequenas e médias empresas (MPME) e às comunidades locais.

Por sua vez, Olayinka Bandele, chefe da Secção de Industrialização Inclusiva do Escritório Sub-regional da CEA para a África Austral, defendeu um maior alinhamento entre as políticas climáticas, o desenvolvimento industrial e os investimentos na região.

“A acção climática não deve ser vista apenas como um imperativo ambiental. É também uma oportunidade económica, industrial e de desenvolvimento. Para África, a transição para economias mais verdes e resilientes pode estimular a inovação, fortalecer a agregação de valor interna, atrair investimentos, criar empregos dignos e aumentar a competitividade”, afirmou.

Bandele considerou que Moçambique dispõe de condições favoráveis para avançar nesta área, nomeadamente recursos de energia renovável, capacidade empreendedora e uma estratégia de desenvolvimento industrial.

A responsável sublinhou, contudo, que a transição verde deve privilegiar a transformação local de recursos, a inovação e a criação de emprego, assegurando uma maior participação das pequenas empresas, das mulheres e dos jovens na actividade económica.

As partes reiteraram o compromisso de promover uma industrialização capaz de conciliar o crescimento económico

Do lado empresarial, João Carlos Frade, presidente do Comité de Sustentabilidade, Economia Circular e Alterações Climáticas da CTA, destacou o papel das empresas na concretização dos objectivos de industrialização sustentável.

“As micro, pequenas e médias empresas não devem ser vistas apenas como beneficiárias das políticas climáticas. Elas são agentes de transformação económica, adaptação climática e industrialização verde”, afirmou.

O representante da CTA alertou, porém, para as dificuldades de acesso ao financiamento enfrentadas pelas empresas que pretendem investir em soluções sustentáveis.

“Como resposta, defendemos a criação de mecanismos financeiros inovadores, programas de assistência técnica e soluções de financiamento misto que permitam transformar oportunidades da economia verde em projectos economicamente viáveis”, concluiu.

O encontro, denominado “Workshop sobre Estudos Regionais de Acção Climática Inovadora para Acelerar a Industrialização Verde na África Austral”, decorreu no âmbito do 17.º Projecto da Conta de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDA), com o objectivo de identificar medidas para integrar a resposta às alterações climáticas nas estratégias de desenvolvimento industrial da região.