Os mercados financeiros melhoraram em 21 dos 29 países africanos avaliados pelo Índice de Mercados Financeiros Africanos de 2026, elaborado pelo Absa e pelo grupo de reflexão OMFIF. Apesar dos progressos, a reduzida actividade de negociação continua a limitar a capacidade de atrair investidores e mobilizar financiamento para empresas e infra-estruturas.

Segundo o relatório, citado pela Reuters, a descida da inflação, o reforço das reservas cambiais e as reformas regulamentares contribuíram para os resultados. A pontuação média atingiu 56 pontos, o valor mais elevado desde o lançamento do índice, em 2017.

Contudo, a diversificação dos produtos financeiros e a melhoria das infra-estruturas de mercado nem sempre foram acompanhadas por um aumento das transacções. A falta de liquidez permanece, assim, um dos principais obstáculos ao desenvolvimento dos mercados africanos e ao financiamento do crescimento económico.

A África do Sul manteve a liderança, seguida pelas Maurícias e pela Namíbia. Cabo Verde registou a maior subida na classificação, avançando seis lugares, para a 13.ª posição, graças ao reforço das reservas cambiais e a novas iniciativas de financiamento sustentável.

O Gana subiu quatro posições, para o sexto lugar, beneficiando da redução da inflação, do aumento da actividade bolsista e da melhoria das condições económicas após a crise da dívida. Em sentido contrário, o Botsuana e a Nigéria recuaram duas posições cada, para o sétimo e o oitavo lugares, respectivamente. O Botsuana foi penalizado pela subida da inflação, enquanto a Nigéria registou uma deterioração dos indicadores de acesso a divisas e de transparência.

Os avanços ocorreram num contexto de tensões comerciais, conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente e elevados custos da energia, factores que podem comprometer a estabilidade económica do continente.

“O ambiente global está longe de ser simples”, escreveu o presidente executivo do Absa Group, Kenny Fihla, no relatório, apontando também os riscos associados a um fenómeno El Niño de intensidade excepcional.

“Nestes tempos complexos, todos os países devem reforçar os seus fundamentos para enfrentarem melhor a tempestade. Felizmente, muitos países africanos encontram-se nessa posição”, acrescentou.

O índice avalia o desenvolvimento dos mercados através de seis áreas: profundidade do mercado, acesso a divisas, transparência, desenvolvimento dos fundos de pensões, ambiente macroeconómico e enquadramento jurídico, fiscal e regulamentar. O objectivo é identificar barreiras ao investimento e acompanhar as reformas que podem facilitar a mobilização de capitais.

Mercados mais desenvolvidos permitem às empresas obter recursos para além dos empréstimos bancários tradicionais e canalizar poupanças para infra-estruturas e outros investimentos de longo prazo. A capacidade de apoiar operações de maior dimensão está em evidência na Nigéria, onde a oferta pública inicial de acções da refinaria de Aliko Dangote pretende captar milhares de milhões de dólares junto de investidores particulares e institucionais.

Na sua décima edição, o índice adoptou uma metodologia que avalia os países face a padrões fixos de boas práticas, em vez de os comparar apenas entre si. As pontuações históricas foram recalculadas para permitir a comparação dos resultados ao longo do tempo.