A Tanzânia espera finalizar, nos próximos meses, acordos relativos a grandes projectos de investimento, incluindo um empreendimento de gás natural liquefeito (GNL) avaliado em 42 mil milhões de dólares, que as autoridades esperam que impulsione a industrialização do país, afirmou o ministro das Finanças, Khamis Mussa Omar, à Reuters.
O projecto de GNL, liderado pela Equinor e pela Shell, integra uma estratégia mais ampla para transformar a África Oriental num importante centro energético. Esta iniciativa decorre em paralelo com os planos do Uganda de iniciar as primeiras exportações de petróleo através do porto tanzaniano de Tanga, no início de 2027.
O empreendimento deverá permitir o aproveitamento de reservas de gás natural estimadas em 47,13 biliões de pés cúbicos. Além da Equinor e da Shell, participam no projecto a ExxonMobil, a Pavilion Energy, a Medco Energi e a estatal Tanzania Petroleum Development Corporation. As autoridades esperavam assinar o acordo relativo ao GNL antes de Junho.
“Está quase concluído”, afirmou Omar. A Equinor e a Shell não responderam aos pedidos de comentários. Embora a maior parte da produção se destine à exportação, uma parcela será reservada ao mercado interno.
Acordos sobre minerais críticos próximos da conclusão
O dirigente afirmou que a Tanzânia pretende quase duplicar a sua capacidade de produção de electricidade, elevando-a para 8 mil megawatts até 2030. O Governo pretende também aumentar para cerca de 75% a proporção de energia proveniente de fontes que classifica como limpas, incluindo energia hidroeléctrica, solar, eólica e gás natural.
O ministro revelou ainda que estão próximos da conclusão acordos relativos a dois projectos de minerais críticos, mas recusou avançar pormenores, acrescentando que os investidores norte-americanos demonstram particular interesse nos sectores da energia e dos minerais críticos. Segundo Omar, o Governo procura atrair mais investimento internacional para projectos capazes de gerar receitas e financiar as suas próprias operações.
Governo procura diversificar fontes de financiamento
A Tanzânia ainda não decidiu se emitirá uma obrigação nos mercados internacionais, mas está a trabalhar para atrair investidores estrangeiros para o mercado interno de dívida pública. Em Julho, o Governo alargou o acesso de investidores estrangeiros ao mercado nacional de obrigações e, em Agosto, lançou uma curva de rendimentos soberana.
Foram igualmente aprovadas reformas destinadas a dinamizar a emissão de dívida por empresas. Apesar destas medidas, o país continua a avaliar os riscos de uma maior participação estrangeira, enquanto o banco central estuda a experiência de outras economias africanas.
A iniciativa acompanha uma tendência mais ampla entre os mercados de fronteira, que procuram aproveitar a procura internacional por instrumentos de dívida denominados em moeda local. Actualmente, a Tanzânia financia dois terços do seu orçamento, avaliado em cerca de 23,7 mil milhões de dólares, através de receitas internas. A assistência oficial ao desenvolvimento, que anteriormente representava 40% do orçamento, perdeu peso e corresponde agora a uma parcela “muito insignificante”, segundo Khamis Mussa Omar.
“O projecto de GNL, liderado pela Equinor e pela Shell, integra uma estratégia mais ampla para transformar a África Oriental num importante centro energético. Esta iniciativa decorre em paralelo com os planos do Uganda de iniciar as primeiras exportações de petróleo através do porto tanzaniano de Tanga, no início de 2027”
O Governo está também a avaliar a possibilidade de solicitar um novo programa de financiamento ao Fundo Monetário Internacional (FMI), devendo tomar uma decisão até Junho. O anterior programa, no valor de 1,7 mil milhões de dólares, que incluía a Facilidade de Crédito Alargado e a Facilidade de Resiliência e Sustentabilidade, orientada para questões climáticas, terminou em Julho.
O ministro revelou ainda que estão próximos da conclusão acordos relativos a dois projectos de minerais críticos, mas recusou avançar pormenores. Acrescentou que os investidores norte-americanos demonstram particular interesse nos sectores da energia e dos minerais críticos. Segundo Omar, o Executivo procura atrair mais investimento internacional para projectos capazes de gerar receitas e financiar as suas próprias operações.





