O Governo do Botsuana está próximo de alcançar um acordo com o Global Diamond Consortium (GDC), consórcio interessado na aquisição da produtora de diamantes De Beers, que poderá permitir ao país aumentar a sua participação accionista na empresa dos actuais 15% para cerca de 25%, segundo informações avançadas pela Bloomberg, na terça-feira (13).

De acordo com a agência que cita fontes familiarizadas com as negociações, as partes estão próximas de um entendimento sobre a futura distribuição do capital da companhia, o que poderá eliminar um dos principais obstáculos à venda da participação detida pela multinacional mineira Anglo American.

Actualmente, a Anglo American controla 85% do capital da De Beers, enquanto os restantes 15% pertencem ao Governo do Botsuana. Caso o entendimento se concretize nos termos em discussão, a participação estatal aumentará em cerca de 10 pontos percentuais, reforçando a posição do país na estrutura accionista da empresa.

O Global Diamond Consortium, liderado por Gareth Penny, antigo presidente executivo da De Beers, foi identificado em Julho como o concorrente preferencial no processo de aquisição da produtora de diamantes. No entanto, a definição da participação do Botsuana, onde se encontram algumas das principais minas da companhia, continuava a constituir um obstáculo à conclusão do negócio.

O consórcio e o Governo botsuanês estão agora próximos de chegar a um entendimento sobre as respectivas participações, embora as negociações ainda estejam em curso e não exista confirmação de um acordo definitivo.

A possível operação surge no âmbito do processo de reestruturação da Anglo American, que colocou a De Beers à venda em Maio de 2024, numa altura em que o sector diamantífero enfrenta dificuldades associadas à queda dos preços dos diamantes naturais e ao aumento da concorrência dos diamantes sintéticos.

A decisão de alienar a empresa integra a estratégia da Anglo American de reorganizar o seu portefólio de negócios, num contexto de mudanças no mercado internacional de matérias-primas e de pressão sobre a rentabilidade da indústria diamantífera.

Além do Botsuana, Angola e Namíbia, dois importantes países produtores de diamantes em África, também manifestaram interesse no negócio, assim como potenciais compradores privados.

O eventual aumento da participação do Botsuana poderá representar um avanço no processo de venda da De Beers, permitindo ao país reforçar a sua presença accionista numa das principais empresas mundiais do sector diamantífero.