O Governo pretende aumentar o processamento de gemas e metais preciosos em Moçambique, para que o país retenha maior parte do valor gerado pela lapidação, certificação e comercialização destes recursos, actualmente realizadas, em parte, fora das suas fronteiras.
A posição foi defendida esta quinta-feira, em Nacala, pelo ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale, na abertura da VIII edição da Feira Anual de Gemas de Nampula (FAGENA 2026), integrada, este ano, na primeira Conferência de Adição de Valor aos Recursos Minerais e Energéticos Disponíveis (CAVAME-d).
“Gemas não podem continuar a sair em bruto”, afirmou o governante, defendendo que a transformação local da matéria-prima mineral deve fazer parte da estratégia de industrialização do país.
Segundo Pale, a criação de valor exige o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva, desde a pesquisa geológica e extracção até à lapidação, certificação e comercialização formal. Na sua perspectiva, a consolidação destas actividades em território nacional poderá gerar mais empregos, sobretudo para os jovens, aumentar os rendimentos dos mineradores e reforçar as receitas do Estado.
O ministro considerou que a FAGENA deve ultrapassar a função de exposição de produtos e servir de ponto de encontro entre os diferentes intervenientes do sector, incluindo mineradores artesanais, operadores, lapidadores, certificadores, investigadores, compradores e reguladores.
A exposição apresenta gemas, metais preciosos, tecnologias de pesquisa e processamento, bem como equipamentos de protecção individual destinados à actividade mineira.
O evento enquadra-se igualmente nos esforços do Governo para formalizar o comércio de gemas, melhorar a tributação, aumentar os ganhos dos mineradores artesanais e promover práticas de extracção sustentáveis.
Para Pale, a valorização dos recursos minerais depende também do conhecimento técnico e científico. Por isso, o programa inclui sessões sobre geologia, geofísica, mineração artesanal e de pequena escala, certificação e processamento de gemas.
A experiência do Quénia na construção de uma cadeia de valor a partir de pequenos mineradores será um dos temas em destaque. Estão igualmente previstas discussões sobre sustentabilidade ambiental, licenciamento mineiro e o Processo de Kimberley, relacionado com o comércio internacional de diamantes em bruto.



