Um tribunal do Quénia condenou, na segunda-feira, 19 de Outubro de 2026, o líder religioso Paul Mackenzie e outras 28 pessoas pelo assassinato de 191 pessoas, incluindo crianças, num processo relacionado com a morte de seguidores de uma seita religiosa na floresta de Shakahola, no sudeste do país.
Paul Mackenzie, líder da Igreja Internacional das Boas Novas, é acusado de dirigir um esquema organizado que recorria a ensinamentos religiosos para convencer os seus seguidores a jejuarem até à morte, sob a promessa de que, dessa forma, encontrariam Jesus e alcançariam o paraíso.
O caso tornou-se público em 2023, depois de as autoridades policiais receberem denúncias de activistas que alertaram para a situação dos membros da seita. Na sequência dessas denúncias, foram iniciadas investigações que resultaram no resgate de sobreviventes e na descoberta de numerosas sepulturas clandestinas na floresta de Shakahola, levando à detenção do líder religioso.
Desde o início das operações, as autoridades recuperaram mais de 400 corpos, muitos dos quais pertencentes a crianças. O avançado estado de decomposição dos cadáveres dificultou a identificação das vítimas.
Segundo os dados apresentados no relato do caso, apenas 26 menores tinham sido identificados, enquanto as investigações sobre as restantes mortes continuavam em curso.
A decisão do Tribunal Superior de Mombaça abrange também outras 28 pessoas consideradas envolvidas na organização que incentivava os fiéis a morrerem de fome como forma de alcançar o paraíso.
Os condenados deverão conhecer as respectivas penas no dia 6 de Novembro de 2026, data prevista para a determinação das sanções aplicáveis a cada um dos envolvidos.
O caso da floresta de Shakahola tornou-se um dos episódios mais graves de abuso da fé religiosa registados no Quénia, provocando preocupação em torno da fiscalização das organizações religiosas e da necessidade de proteger pessoas vulneráveis contra práticas extremistas.
O processo reacendeu igualmente o debate sobre a responsabilidade das autoridades na supervisão de grupos religiosos e na prevenção de situações em que crenças extremistas são utilizadas para colocar vidas humanas em risco.



