A União Africana (UA), através dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças de África (CDC de África), anunciou o envio de apoio técnico e logístico ao Quénia para reforçar a resposta ao surto de ébola, após a confirmação de quatro novos casos, elevando o total para sete.
Com estes resultados, sobe para sete o total de infecções registadas no país, resultantes de um caso importado da República Democrática do Congo (RDC). Num comunicado divulgado este sábado, CDC de África informaram que estão a colaborar com o Governo queniano em áreas-chave da emergência, com especial atenção à “vigilância epidemiológica, coordenação técnica, comunicação de riscos e envolvimento comunitário”.
O organismo de saúde continental enfatizou a necessidade de fornecer equipamento de protecção aos profissionais de saúde que trabalham na linha da frente, após a confirmação de que três dos quatro novos infectados são profissionais de saúde que assistiram o “doente zero” no hospital.
Os CDC de África destacaram a prioridade de reforçar as medidas de prevenção e controlo de infecções, garantindo “equipamento de protecção adequado, formação e apoio contínuo” aos trabalhadores da área da saúde.
Face à evolução da epidemia na RDC, origem do primeiro caso detectado no Quénia, o organismo reafirmou que vai intensificar a vigilância transfronteiriça e a detecção precoce entre os Estados-membros, visando conter a propagação do vírus a nível regional.
Por seu lado, o Ministério da Saúde do Quénia afirmou, num documento, que o risco para o público em geral continua a ser baixo, “dado que não há evidências de transmissão comunitária da doença”.
Das 130 pessoas que tiveram contacto com o “doente zero”, 128 (98,5%) foram rastreadas e estão em quarentena, o que supera a referência global de 85% para o rastreio de contactos, taxa necessária para quebrar a cadeia de transmissão da doença.
O Quénia confirmou, a 5 de Outubro, o seu primeiro caso importado de ébola: um homem de 40 anos que viveu, nos últimos sete anos, na República Democrática do Congo. O “doente zero” recebeu tratamento em vários hospitais congoleses antes de viajar por terra até Kampala e, posteriormente, voar do Uganda para Nairóbi, onde aterrou a 3 de Outubro, morrendo dois dias depois.
“O organismo de saúde continental enfatizou a necessidade de fornecer equipamento de protecção aos profissionais de saúde que trabalham na linha da frente, após a confirmação de que três dos quatro novos infectados são profissionais de saúde que assistiram o ‘doente zero’ no hospital”
Desde então, as autoridades de saúde iniciaram o rastreio de contactos para identificar pessoas que possam ter estado expostas ao vírus durante a deslocação e o tratamento do paciente.
O Quénia é o quarto país a registar um caso ligado à epidemia de ébola na RDC, juntando-se ao Uganda, França e Países Baixos. O vírus também se alastrou ao Uganda, onde a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou, a 26 de Agosto, o fim do surto, depois de contabilizar 20 casos confirmados, incluindo 15 importados da RDC, e duas mortes.
A epidemia na República Democrática do Congo é a segunda mais letal da história a nível global, tendo provocado 9277 casos confirmados, incluindo 4478 mortes, segundo o último balanço do Governo congolês.
Fonte: Lusa





