As Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) voltam a ser alvo de acusações de alegados maus-tratos contra cidadãos na província de Cabo Delgado, sobretudo nas zonas afectadas pelos ataques terroristas. Desta vez, as denúncias envolvem militares destacados na sede do distrito de Quissanga.
Fontes locais ouvidas pelo jornal Carta de Moçambique afirmam que o caso mais recente aconteceu na manhã desta quarta-feira, quando um grupo de militares das FADM se deslocou à aldeia de Mecuti, onde alegadamente maltratou vários residentes.
Segundo os relatos, os militares terão expulsado habitantes das suas próprias palhotas e agredido alguns moradores com cassetetes, vulgarmente conhecidos como chambocos, sem que houvesse uma justificação para a actuação.
As fontes citadas pelo jornal afirmam ainda que situações desta natureza ocorrem frequentemente naquela região e que, na maioria dos casos, os cidadãos afectados não recebem explicações sobre os motivos da intervenção dos militares.
Denúncias surgem após apelo do governador
As novas acusações surgem dois dias depois de o governador da província de Cabo Delgado, Valige Tauabo, ter apelado à colaboração entre a população e as Forças de Segurança.
O apelo foi feito durante um comício popular realizado na sede do distrito de Quissanga, numa altura em que persistem preocupações relacionadas com a segurança e a actuação das forças destacadas na região.
As denúncias contra as FADM não são inéditas. Ao longo dos últimos anos, habitantes de diferentes distritos de Cabo Delgado têm apresentado queixas sobre alegados maus-tratos praticados por militares moçambicanos.
A actuação de efectivos destacados na província também já foi alvo de relatos de jornalistas que trabalham naquela região do país.
Jornalistas denunciam intimidação e confisco de material de trabalho
Em Julho do ano passado, um grupo de jornalistas que se deslocava ao distrito de Mueda, no norte de Cabo Delgado, denunciou ter sido submetido a uma situação de intimidação e tortura psicológica por parte de militares.
Os profissionais pretendiam acompanhar o andamento das obras de asfaltagem da estrada Mueda–Negomano quando, segundo o relato divulgado posteriormente, foram alvo de uma intervenção que culminou no confisco do seu material de trabalho, sem fundamento aparente.
De acordo com a informação divulgada pelo MISA-Moçambique, o episódio envolveu 16 jornalistas moçambicanos que viajavam da cidade de Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, com destino ao distrito de Mueda.
A deslocação tinha sido organizada pela Administração Nacional de Estradas (ANE).
Na sequência do incidente, o MISA-Moçambique enviou uma carta ao ministro da Defesa Nacional, exigindo esclarecimentos sobre o sucedido e sobre as circunstâncias em que os profissionais de comunicação social terão sido submetidos à intimidação e à apreensão dos seus equipamentos.
As novas denúncias registadas em Quissanga voltam a levantar questões sobre a relação entre as forças militares e as comunidades locais nas zonas afectadas pelos ataques terroristas. Contudo, os episódios relatados pelas fontes locais constituem alegações que carecem de confirmação independente.
Fonte: Carta de Moçambique.



