Moçambique ocupa o primeiro lugar entre os países de língua portuguesa com maior proporção da população afectada pela pobreza multidimensional, com cerca de 38,8% dos habitantes a viverem nesta condição, segundo um estudo divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com os dados do relatório denominado “Índice Global de Pobreza Multidimensional”, a Guiné-Bissau aparece na segunda posição, com 35,9%, seguida de Angola, que regista 29,6% da população afectada.

O estudo analisa diferentes factores associados à pobreza, incluindo as fontes de rendimento, as condições de bem-estar, a qualidade de vida e o acesso a oportunidades, considerados elementos importantes para compreender as privações enfrentadas pelas populações.

Segundo a ONU, a pobreza multidimensional voltou a aumentar pela primeira vez desde 2010, colocando pelo menos 1,2 mil milhões de pessoas em condições de pobreza extrema.

“Moçambique tem 38,8% da população afectada, Guiné-Bissau 35,9%, Angola 29,6%, Timor-Leste 17,4%, São Tomé e Príncipe 2,1%, e Brasil 0,9%”, refere o documento.

Moçambique enfrenta privações estruturais

No caso moçambicano, o relatório destaca os elevados níveis de privações estruturais que afectam a população, evidenciando os desafios que o país enfrenta no combate à pobreza multidimensional.

Por sua vez, São Tomé e Príncipe e a Guiné-Bissau enfrentam dificuldades estruturais significativas, relacionadas com vulnerabilidades geográficas, climáticas e económicas, factores que contribuem para agravar as condições de vida das respectivas populações.

A análise comparativa com o ano anterior indica ainda que, em 2026, o número de pessoas em situação de pobreza aumentou em mais 51,5 milhões.

O relatório salienta igualmente que 83% das pessoas afectadas vivem em zonas rurais e que mais de metade são crianças, evidenciando o impacto desproporcional da pobreza sobre as populações rurais e os menores de idade.

Os dados reforçam a dimensão do desafio global no combate à pobreza multidimensional, que não se limita à falta de rendimentos, abrangendo também as condições de vida, o bem-estar e o acesso a oportunidades essenciais.

Fonte: MZ News, com base no Índice Global de Pobreza Multidimensional divulgado pela ONU.