Professor Jaleia acusa Guyzelh Ramos de não entregar mais de 500 mil meticais de live solidária

O Professor Jaleia acusa o influenciador digital Guyzelh Ramos de não ter transferido nem entregue os valores arrecadados numa transmissão solidária realizada nos dias 4 e 5 de Agosto, destinada a apoiar crianças e alunos da província da Zambézia. Segundo o professor, a iniciativa terá angariado mais de 500 mil meticais, além de produtos oferecidos por várias empresas.

Numa publicação em que questiona o paradeiro do dinheiro, Jaleia afirma que tentou contactar várias vezes Guyzelh Ramos para resolver o assunto de forma pacífica, mas alega que as mensagens eram visualizadas e ignoradas ou que recebia chamadas com ameaças.

De acordo com o relato, o caso começou a 31 de Julho, quando Guyzelh Ramos comentou uma publicação do professor, na qual este mostrava a entrega de camisolas oferecidas por uma seguidora às crianças. Na ocasião, o influenciador disponibilizou-se para organizar uma “live solidária” com o objectivo de apoiar a mesma causa.

Jaleia afirma que aceitou a proposta por acreditar na boa-fé do influenciador. A transmissão foi realizada na página de Guyzelh Ramos, nos dias 4 e 5 de Agosto, e, segundo o professor, foram angariados mais de 500 mil meticais, valor que descreve como próximo de 600 mil meticais, para além de produtos doados por diferentes empresas.

Figuras públicas contribuíram para a iniciativa

Entre os nomes que, segundo Jaleia, contribuíram financeiramente para a iniciativa estão:

  • Geny Catamo: 100.000 meticais;
  • Nelson Tivane: 5.000 meticais;
  • Simões Mbanguine: 20.000 meticais;
  • Picasso: 10.000 meticais;
  • Akeem: 10.000 meticais;
  • Igor Idelson: 10.000 meticais;
  • Cota Limão: 10.000 meticais;
  • Professor Hwang Jorge: 3.000 meticais.

O professor acrescenta que Guyzelh Ramos também terá contactado Fred Jossias e Zebito para que contribuíssem para a causa, mas afirma que ambos não chegaram a participar. Segundo o relato, além destas figuras públicas, várias outras pessoas e cidadãos anónimos contribuíram com os valores que tinham disponíveis para ajudar as crianças.

Jaleia sustenta que todo o dinheiro arrecadado durante a transmissão foi encaminhado para a conta de Guyzelh Ramos e que nenhum montante chegou às suas mãos ou às dos alunos que seriam beneficiados.

Acordo previa divisão de 50% para cada parte

Segundo o professor, numa conversa privada, Guyzelh Ramos explicou-lhe que os valores arrecadados em transmissões solidárias eram habitualmente divididos em duas partes iguais: 50% para o próprio influenciador e 50% para a causa apoiada.

Jaleia afirma que não considerava essa divisão justa, mas que aceitou a proposta porque o seu principal objectivo era conseguir recursos para apoiar as crianças.

O entendimento, segundo explica, era que, depois da transmissão, o dinheiro seria transferido para permitir a compra, na província da Zambézia, dos bens de que os alunos realmente precisavam.

Posteriormente, de acordo com a mesma publicação, Guyzelh Ramos manifestou preferência por deslocar-se pessoalmente à Zambézia para fazer a entrega dos donativos. O professor diz que concordou com a proposta e até a considerou vantajosa, por entender que assim não teria de administrar directamente o dinheiro e seriam evitadas dúvidas sobre a utilização dos valores arrecadados.

Entretanto, Jaleia afirma que já passaram aproximadamente três meses sem que a entrega se concretizasse. Durante esse período, segundo o seu relato, houve justificações, adiamentos e promessas que não foram cumpridas.

Professor diz que nem ele nem os alunos receberam dinheiro

Na publicação, Jaleia procura esclarecer aos contribuintes que, segundo afirma, não recebeu qualquer quantia proveniente da transmissão solidária e que os seus alunos também não beneficiaram do dinheiro.

O professor responsabiliza Guyzelh Ramos pela gestão dos valores arrecadados e afirma que a publicação não tem como objectivo pedir ao influenciador que se desloque à Zambézia ou lhe entregue pessoalmente o dinheiro.

“Por mim, já não precisa vir. Se quiser vir, não precisa sequer procurar-me. Conheces a Zambézia e tens todas as informações necessárias sobre onde estamos”, escreveu.

Jaleia explica que decidiu tornar o caso público porque não quer que uma situação que, segundo ele, não depende de si seja confundida com irresponsabilidade da sua parte.

Afirma ainda que tem recebido mensagens de pessoas que contribuíram para a iniciativa e que lhe pedem explicações sobre o paradeiro do dinheiro, por acreditarem que foi ele quem recebeu os valores. Considera essa situação injusta, uma vez que sustenta não ter tido acesso a qualquer montante.

Na mesma publicação, questiona por que razão, ao longo de aproximadamente três meses, não foi possível encontrar sequer três dias para concretizar a entrega anunciada. Acrescenta que, caso Guyzelh Ramos não tivesse disponibilidade para viajar à Zambézia, poderia ter transferido o dinheiro.

Jaleia afirma que partilhou as suas dúvidas com pessoas próximas

O professor revela que, desde o início, teve algumas dúvidas sobre a situação e que, por esse motivo, conversou com a mãe, o Professor Hwang, o seu agente, a direcção da escola onde trabalha e outras pessoas próximas.

Apesar do desfecho que descreve, Jaleia garante que a iniciativa de apoio às crianças vai continuar, independentemente do dinheiro arrecadado na transmissão.

“Esta causa não começou com Guyzelh Ramos e também não vai terminar por causa dele”, declarou, acrescentando que deixa a responsabilidade pelos valores arrecadados nas mãos de quem os recebeu e administrou.

No final da publicação, o professor dirige uma mensagem a Guyzelh Ramos, escrevendo: “DEUS TE ABENÇOE, GUYZELH RAMOS”, acompanhada de um emoji de oração.

Jaleia aproveitou ainda para agradecer a todos os moçambicanos que contribuíram para a iniciativa, afirmando que os gestos de solidariedade não serão esquecidos.

A publicação termina com a indicação de que seriam apresentadas, em seguida, as conversas relacionadas com o caso.

Até ao momento, o relato apresentado pelo professor não inclui uma resposta de Guyzelh Ramos. As acusações sobre o destino dos fundos e a alegada falta de entrega dos donativos carecem de esclarecimento por parte do influenciador e de confirmação independente.