O GOVERNO deve um dos três meses de subvenções aos operadores do transporte semicolectivo de passageiros da Região do Grande Maputo, aprovadas para aliviar os custos de operação, na sequência da subida do preço dos combustíveis.

A implementação dos subsídios aos transportadores durante um período de três meses foi descontinuada devido à insustentabilidade. A Agência Metropolitana de Transportes (AMT) continua com a dívida referente ao mês de Julho.   

A administradora do Pelouro Técnico da AMT, Iracema Mascarenhas, aponta a insustentabilidade da medida como um dos motivos que levou ao cancelamento dos subsídios aos “chapeiros” e abertura de espaço para reajuste de tarifas. 

“A subvenção aos transportadores semicolectivos pretendia aliviar os custos operacionais, na sequência do agravamento do preço dos combustíveis. No entanto, tornou-se insustentável, de tal maneira que o Governo só conseguiu pagar dois meses”, disse.

A fonte indicou que o reajuste em negociação abrange os operadores afiliados à FEMATRO e será acompanhada pelo reforço das medidas de fiscalização para combater a especulação e/ou encurtamento de rotas, em coordenação com a Polícia Municipal e denúncias dos cidadãos, para evitar desmandos.

“A entrada em vigor das novas tarifas continua em discussão. Entretanto, poderá ser anunciada nos próximos dias logo que forem alcançados consensos”, afirmou.

Rodolfo Guambe, transportador, conta que nunca recebeu os valores propostos e vê com bons olhos o agravamento da tarifa.

“O valor nunca chegou a ser pago, facto que condicionava a actividade. Sendo assim, o aumento é mais do que necessário e devia ter sido feito há algum tempo”, disse.

Pedro Sambo, operador da rota Baixa-Novo Cemitério, é um dos beneficiários das subvenções, mas conta que recebeu apenas um mês.

“Recebi o valor uma vez, não sei quanto aos meus colegas. O aumento de cinco meticais não é o ideal. Esperávamos no mínimo 10,00 meticais, tendo em vista a sustentabilidade das operações. Mas é preciso ter em atenção que os passageiros também saem prejudicados”, relatou.

Jorge Luís, da rota Malhazine/Anjo Voador, conta que mesmo após a submissão de toda a documentação nunca recebeu a subvenção.

 “Eu nunca fui contemplado. O aumento da tarifa é o mínimo que o Governo deve fazer, porque o combustível subiu e a actividade tornou-se insustentável”, salientou.

Artur Muchai, trabalhador, afirma que o aumento, embora venha pesar mais no bolso do cidadão, é justificável e necessário.

“O Governo precisa reajustar a tarifa em consonância com os custos dos combustíveis. O dilema que se coloca é o facto de o salário não cobrir a cesta básica”, salientou.

Florentina Sarmento, estudante, entende que o impacto desta subida será devastador  e um reajuste deve ter em conta a capacidade financeira da maioria dos passageiros.

“As autoridades devem ter em conta os salários, pois o cidadão sofre directamente com a subida de bens essenciais. Sugiro também uma formação dos transportadores, cobradores e “modjeiros” sobre a moral e comportamento, principalmente o combate ao encurtamento de rota”, reiterou.

Raimundo António, trabalhador, afirma que o aumento complicará ainda mais as contas mensais dos agregados familiares.

“O acréscimo, ainda que pareça ínfimo, complicará ainda mais as contas do mês, pois o salário já se mostra insuficiente para suprir as necessidades básicas, pelo que o custo de vida ficará mais sufocante”, lamentou.