As dificuldades de transporte rodoviário podem comprometer um novo projecto de extracção de monazite em Moçambique, apesar dos resultados iniciais favoráveis de um estudo de pré-viabilidade concluído recentemente pela Kenmare que tenciona exportar o minério através de Nacala, dadas as exigências especificas de transporte sob condições controladas.

O projecto pretende recuperar a monazite presente no concentrado mineral actualmente produzido, criando uma oportunidade para acrescentar valor à actividade mineira. Contudo, a sua implementação dependerá da capacidade de transportar o material até ao porto de Nacala de forma regular e economicamente viável.

“Os resultados iniciais indicam que o projecto será viável e já começámos um estudo de viabilidade definitivo”, afirmou Gareth Clifton, gerente da Kenmare em Moçambique, durante um painel sobre logística e transporte para os sectores de petróleo, gás e mineração.

Segundo Gareth Clifton, o estudo preliminar foi concluído cerca de duas semanas atras e a fase seguinte deverá aprofundar as questões económicas, técnicas e operacionais necessárias para decidir se o investimento poderá avançar.

A Kenmare prevê uma produção de aproximadamente quatro mil toneladas de monazite por ano. O material teria de ser acondicionado e transportado em contentores, respeitando as exigências específicas aplicáveis ao seu manuseamento e transporte, devido às restrições relacionadas com a radioactividade.

A empresa estima que cada contentor poderá transportar entre 16 e 18 toneladas, dependendo da capacidade das estradas e das condições operacionais, no entanto, o problema é que as infra-estruturas portuárias actualmente utilizadas pela empresa não estão equipadas para movimentar este tipo de carga em contentores, o que obrigaria a recorrer ao transporte rodoviário até Nacala.

O responsável alertou que a dependência das estradas poderá tornar o projecto economicamente inviável se não houver garantias de circulação durante todo o ano, pois durante a época chuvosa as estradas ficam intransitáveis 

“Não podemos suportar a impossibilidade de transportar contentores durante três ou quatro meses por ano porque está a chover e não conseguimos levá-los pela estrada”, advertiu Clifton.