Numa transmissão ao vivo realizada nesta quinta-feira, 22 de Outubro, na sua página do Facebook, Venâncio Mondlane lançou duras críticas à governação e às recentes adjudicações do património público, acusando o Executivo de colocar em risco a soberania nacional ao alienar infra-estruturas cruciais do Estado a interesses privados e estrangeiros.
Durante a sua intervenção, o político centrou a atenção em processos recentes de concessão e gestão de infra-estruturas estratégicas na zona centro de Moçambique. Em destaque, apontou a adjudicação da gestão da fronteira de Machipanda, o projecto do Porto Seco do Dondo e as obras de asfaltagem da estrada entre o Dondo e Cheringoma.
Os processos em causa envolvem a empresa Zhongmei e sócios como Feng Dong, além do empresário Danúbio Lado — detentor de 51% do negócio —, a qual associou directamente ao ministro Matlombe, classificando a situação como um “exemplo típico de um país que não tem respeito pela sua própria soberania”.
Mondlane sustentou que a actuação do Governo se resume a “vender o país aos pedaços” e leiloar activos estratégicos sem o consentimento do povo.
“A soberania reside no povo. Ninguém pediu autorização ao povo para leiloar a soberania de Moçambique. Ninguém perguntou ao povo se quer ou não quer que a fronteira de Machipanda seja gerida por estrangeiros, ou se quer que o Porto Seco do Dondo e a estrada sejam entregues à Zongmei”, declarou.
Para o político, a entrega das portas de entrada do país a interesses opacos ultrapassa a mera discussão sobre quem gere determinada infra-estrutura, representando uma ameaça directa à segurança nacional e à dignidade da nação.
“A fronteira é a cara de um país, a fronteira é a segurança nacional, a fronteira é a dignidade de um povo. Entregar isso a interesses opacos, a ligações duvidosas e a negociatas de gabinete é rasgar a nossa bandeira”, afirmou durante a transmissão.
Ao encerrar a sua intervenção, Venâncio Mondlane apelo à consciencialização dos cidadãos e à exigência de maior transparência nos processos de concessão pública, alertando que o país não pode continuar a aceitar decisões tomadas em gabinetes à revelia da população.




