Os accionistas da australiana South32 aprovaram a venda dos activos da cadeia de valor do alumínio à norte-americana Alcoa Corporation, por até 5600 milhões de dólares, excluindo a fundição moçambicana Mozal, que permanece paralisada desde Março.
Segundo o mais recente relatório trimestral da empresa, divulgado esta semana, os accionistas aprovaram a operação a 15 de Outubro deste ano. O negócio, anunciado em Julho, continua previsto para ser concluído no semestre que termina em Junho de 2027, estando ainda dependente das aprovações regulatórias necessárias.
O grupo mineiro e metalúrgico australiano, com operações em vários continentes e cerca de 6900 trabalhadores, registou um lucro de 1087 milhões de dólares no exercício fiscal de 2026.
No relatório, a South32 refere que a transacção permitirá alterar o perfil do negócio, reposicionando a empresa como um grupo focado em metais de base a montante, com activos de elevada margem e potencial de crescimento.
A Mozal, maior instalação industrial de Moçambique e uma das maiores fundições de alumínio de África, é detida em 63,7% pela South32. O relatório não inclui a unidade moçambicana entre os activos abrangidos pela venda à Alcoa, mantendo-se a fundição em regime de conservação e manutenção desde Março deste ano.
A participação remanescente na Mozal pertence à sul-africana Industrial Development Corporation (IDC), com 32,48%, e a outros accionistas minoritários, incluindo o Estado.
A suspensão das operações ocorreu após vários meses de negociações sem acordo sobre o fornecimento de energia eléctrica à fundição, localizada nos arredores de Maputo.
A South32 considerou “totalmente insustentável” a tarifa proposta para o fornecimento de electricidade, apontando a impossibilidade de garantir energia a custos compatíveis com a operação como principal motivo para a interrupção da produção. Segundo a empresa, a energia representa cerca de um terço dos custos da Mozal. A fundição defendia uma tarifa próxima de 51 dólares por megawatt-hora, contra os 100 dólares propostos.
Em Julho, a South32 estimou em 122 milhões de dólares os custos extraordinários associados à paralisação da Mozal, incluindo 33 milhões de dólares em indemnizações e rescisões contratuais e perdas contabilísticas de 89 milhões de dólares relacionadas com matérias-primas, consumíveis e inventários.
A empresa revelou também que a produção da fundição caiu 30% no exercício fiscal de 2026, encerrado a 30 de Junho, para 248 mil toneladas de alumínio, contra 355 mil toneladas no exercício anterior. As vendas recuaram 22%, de 351 mil para 275 mil toneladas.
Em Julho, a South32 estimou em 122 milhões de dólares os custos extraordinários associados à paralisação da Mozal, incluindo 33 milhões de dólares em indemnizações e rescisões contratuais e perdas contabilísticas de 89 milhões de dólares relacionadas com matérias-primas, consumíveis e inventários
Entre Abril e Junho, no primeiro trimestre completo após a suspensão das operações, a unidade não registou qualquer produção, limitando-se a vender cerca de 46 mil toneladas provenientes dos inventários remanescentes.
A Mozal necessita de cerca de 950 megawatts de energia para operar continuamente. O fornecimento era assegurado pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa através da rede da sul-africana Eskom, cujo contrato terminou em Março.
A South32 apontou igualmente os efeitos da seca na albufeira de Cahora Bassa como um dos factores que limitaram a disponibilidade de energia eléctrica.
Entretanto, a IDC lançou, em Junho, um concurso para contratar consultores independentes para avaliar uma eventual aquisição da participação da South32 na Mozal e a viabilidade da retoma das operações. A instituição estatal sul-africana pretende analisar os riscos, os custos e as soluções energéticas necessárias para garantir a sustentabilidade da fundição a longo prazo.





