Moçambique enfrenta um período de forte aperto económico e ambiental. A afirmação é do Fundo Monetário Internacional (FMI), feita num relatório divulgado a 15 de Outubro de 2026 alertando que o país está a sentir com grande intensidade o impacto dos preços internacionais dos combustíveis, em particular do gasóleo, bem como a ameaça de uma seca severa provocada pelo fenómeno climático El Niño.
Embora a organização preveja um crescimento económico de 4,5% para a região da África Subsariana, o relatório sublinha que “o crescimento sustentado da região oculta realidades diferentes entre os países” e que o custo de vida continua a ser duramente testado.
Analisando a situação dos combustíveis, o FMI examinou o grau em que os preços praticados nas bombas em vários países acompanham os valores internacionais.
Os dados revelam que o gasóleo sofreu um impacto fortíssimo em Moçambique, registando uma taxa de repasse de 192%.
Isto significa que o preço sentiu de forma muito pesada as subidas registadas no mercado externo, ultrapassando vizinhos como a Tanzânia com 165% ou a África do Sul com 106%. Em contrapartida, a gasolina registou um repasse mais moderado, fixando-se nos 32%.
O documento salienta que, embora os governos procurem amortecer estas subidas, “as medidas de alívio generalizado da pressão sobre os preços não são bem direccionadas porque, normalmente, as famílias com maior poder de compra são as mais beneficiadas, enquanto o seu custo orçamental pode reduzir o espaço para despesas sociais”.
Por esta razão, o FMI defende que a ajuda pública deve ser canalizada directamente para quem mais precisa.
Riscos de seca, subida de preços e restrições na produção de energia hidroeléctrica
A somar ao custo dos transportes e dos produtos, o clima traz novas ameaças. O El Niño, apontado como um dos mais intensos de sempre, deverá prolongar-se até Fevereiro de 2027 e ameaça trazer estragos à África Austral.
Para o período entre Outubro deste ano e Março do próximo, as previsões apontam para níveis de precipitação abaixo do normal em várias zonas de Moçambique, Maláui, Zâmbia e Zimbabué.
Na prática, o relatório alerta que “as perdas nas culturas e nas pastagens poderão reduzir os rendimentos rurais e contribuir para o aumento dos preços dos alimentos”, enquanto a diminuição dos níveis de água nos reservatórios “poderá limitar a produção de energia hidroeléctrica”.
Em termos gerais, o FMI avisa que os países da região enfrentam grandes dificuldades devido a dívidas públicas elevadas e à diminuição de ajudas financeiras vindas do estrangeiro.
Para proteger a população, a recomendação passa por o Estado gastar melhor o dinheiro, apoiar de forma directa as famílias mais vulneráveis e preparar a economia para aguentar os choques do clima e do mercado internacional.



