O barril de petróleo está novamente a negociar acima dos 110 dólares, atingindo máximos de cinco meses, numa altura em que os investidores receiam novos ataques do Irão no Estreito de Ormuz, uma via marítima por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural consumidos a nível mundial.

Nesta manhã, o Brent do Mar do Norte, referência para o mercado europeu, sobe 0,7%, para 110,32 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos da América (EUA), recua 0,20%, para 98,35 dólares, depois de ter ficado próximo dos 100 dólares durante a madrugada. Por sua vez, o gás natural negociado em Amesterdão cai 0,16%, para 87,90 euros por megawatt-hora.

Ontem, o vice-presidente do Irão, Reza Aref, afirmou que o país “não tem outra escolha” senão assegurar o controlo do Estreito de Ormuz para salvaguardar a sua segurança, segundo a agência pública de notícias IRNA. As declarações surgem numa altura em que petroleiros continuam a ser atacados naquela via marítima e infra-estruturas energéticas no Médio Oriente estão na mira dos rebeldes Houthis.

Durante um encontro com o primeiro-ministro russo, Reza Aref afirmou ainda que a República Islâmica está a garantir a passagem pelo estreito a países aliados. No entanto, responsabilizou os Estados Unidos da América pela situação actual, declarando que “os EUA são os responsáveis pela situação actual e têm de pagar o preço por isso”. Apesar da escalada das tensões, Washington assegura que os fluxos de petróleo bruto no Golfo Pérsico já recuperaram para 80% dos níveis anteriores à guerra.

“Os riscos para os preços do petróleo apontam claramente para uma subida”, afirmou Hamad Hussain, economista especializado em matérias-primas da Capital Economics, citado pela Bloomberg. Segundo o analista, a intensificação dos ataques a navios aumenta o risco de uma “nova queda na oferta de petróleo e de uma subida contínua dos preços”.