O Presidente da República, Daniel Chapo, anunciou a intenção do Governo de canalizar a quota de 36% detida pelo grupo português Banco BPI no capital social do Banco Comercial e de Investimento (BCI) para investidores, empresas e cidadãos moçambicanos. A iniciativa insere-se no plano de reestruturação e democratização do mercado de capitais nacional, visando assegurar que ativos bancários de relevância passem a contar com uma expressão accionista significativamente moçambicana.

A posição foi assumida durante as celebrações do 28.º aniversário da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) e da admissão à cotação da MECTS S.A., ocasião em que o Chefe de Estado sublinhou a necessidade de reformar o quadro legislativo das instituições financeiras para fomentar a participação do capital nacional e a retenção de património no país.

Detalhando a engenharia financeira em curso para acomodar a alienação das participações do BPI no BCI, o Chefe de Estado explicitou a divisão percentual proposta para o público geral e para o empresariado moçambicano.

 “Neste contexto, destacamos a iniciativa relacionada com a intenção de saída do BPI, do capital social do BCI. O governo tem procurado criar condições para que a participação dos 36% actualmente detida pelo BPI constitua uma oportunidade de alargamento da presença de investidores moçambicanos, incluindo cidadãos, empresas e investidores institucionais, respeitando os procedimentos de avaliação, negociação e autorização legalmente exigidos. Queremos que brevemente moçambicanos possam reparar para este banco e digam que agora é verdadeiramente daqui,” defendeu.

Sublinhou ainda o caráter estruturante da proposta e a ambição de transformar a percepção dos cidadãos quanto à propriedade das grandes instituições financeiras a operar no território nacional.