O Índice de Preços dos Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) recuou 1,2% em Outubro, fixando-se numa média de 133,9 pontos, pressionado pela menor procura internacional de importações e pela descida das cotações dos cereais, produtos lácteos e carnes.

Apesar da redução mensal, o indicador permaneceu 5,9% acima do nível registado em Outubro de 2025, embora continue bastante abaixo do máximo histórico alcançado em Março de 2022. O índice acompanha a evolução mensal dos preços internacionais de um cabaz de produtos alimentares comercializados nos mercados mundiais.

Entre os principais grupos analisados, os cereais registaram a maior descida, com uma redução de 4,5% face a Setembro. Os preços do trigo recuaram após quatro meses consecutivos de aumentos, reflectindo a fraca procura internacional, melhores perspectivas de produção, sobretudo na Argentina, e expectativas de flexibilização das restrições às exportações na região do Mar Negro. O milho também registou uma descida, influenciado pela colheita nos Estados Unidos e pelas perspectivas de oferta na América do Sul.

Em sentido contrário, o índice dos preços do arroz aumentou 1,6%, devido aos atrasos nas colheitas em alguns países exportadores, às condições climáticas adversas e ao aumento dos custos. Nos óleos vegetais, a subida foi mais moderada, de 0,3%, impulsionada pelos aumentos dos preços dos óleos de soja e de girassol, que compensaram a descida do óleo de colza. O óleo de soja atingiu o nível mais elevado desde finais de 2022, sustentado pela procura do sector dos biocombustíveis.

O índice das carnes recuou 1,2% em Outubro, apesar de continuar acima do nível registado no mesmo período do ano anterior. As cotações das carnes de suíno, ovina e bovina diminuíram, enquanto os preços da carne de aves permaneceram estáveis. Nos produtos lácteos, a redução foi de 1,1%, reflectindo a descida dos preços da manteiga e do queijo, num contexto de oferta abundante e fraco interesse dos compradores, que compensou a subida das cotações do leite em pó.

Em contraciclo com a maioria dos grupos alimentares, o açúcar registou o quarto aumento mensal consecutivo, com uma subida de 6,6% face a Setembro e de 28,8% em termos homólogos, atingindo o nível mais elevado desde Dezembro de 2024. A evolução foi influenciada pelas chuvas que interromperam as operações de colheita e moagem da cana-de-açúcar na principal região produtora do centro-sul do Brasil, bem como pelas preocupações com as perspectivas de produção na Índia, União Europeia e Tailândia para a campanha de 2026-27.

No conjunto, a descida dos preços dos cereais, das carnes e dos produtos lácteos compensou a pressão exercida pelo açúcar e a ligeira valorização dos óleos vegetais, determinando a redução de 1,2% do índice mundial de preços alimentares em Outubro, segundo a FAO.

Fonte: Lusa