A Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) está a executar um projecto de aprofundamento e alargamento do canal de acesso ao porto, com o objectivo de criar condições para a entrada de navios com capacidade para até 14 mil TEU (unidades equivalentes a contentores de 20 pés). A intervenção deverá permitir a operação de embarcações de maior dimensão, acompanhando a expansão dos terminais portuários e reforçando a competitividade do Porto de Maputo no mercado regional.
A informação foi apresentada na quinta-feira (5) pelo director-executivo de projectos da MPDC, Paulo Mata, durante o segundo e último dia do Fórum e Exposição de Investimento em Transportes e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026), realizado em Maputo.
Na intervenção, o responsável explicou que o projecto de dragagem resulta da necessidade de adequar o canal aos investimentos de expansão do terminal de contentores e do terminal de carvão da Matola, que deverão passar a receber embarcações de maior capacidade.
Segundo Paulo Mata, o projecto de expansão do terminal de contentores contempla a operação de navios de 366 metros de comprimento e capacidade para 14 mil TEU, dimensões que exigem alterações ao canal de acesso. “No canal actual, não é possível ter este navio a transitar o canal”, afirmou. “Por esta razão, tivemos que olhar para a geometria do canal para garantir uma navegação segura”, acrescentou.
O dirigente explicou que o actual canal de acesso ao Porto de Maputo tem cerca de 74 quilómetros de extensão, com largura de 110 metros nos troços rectos e 150 metros nas curvas. Com o novo projecto, estas larguras deverão passar para 190 metros nos troços rectos e 295 metros nas curvas, melhorando as condições de navegação.
A intervenção contempla igualmente a introdução de zonas de manobra e a recolocação das bóias de navegação, de modo a adequar a sinalização marítima às novas características do canal.
Paulo Mata revelou que o projecto teve início formal a 12 de Outubro de 2026 e que os trabalhos de execução arrancaram três dias depois, a 15 de Outubro. À data da apresentação, a empreitada registava cerca de 2% de execução, estando prevista uma duração de 12 meses para os trabalhos.
Segundo Paulo Mata, a MPDC espera ter o canal “transitável para as duas classes de navios” até Setembro de 2027.
O responsável destacou que o aprofundamento e o alargamento do canal constituem um investimento estratégico para sustentar o crescimento das operações portuárias e responder à procura de transporte de mercadorias dos exportadores que utilizam o Corredor de Maputo.
Como referência da evolução registada nas últimas duas décadas, Paulo Mata recordou que o Porto de Maputo movimentava cerca de 5 milhões de toneladas em 2003, ano do início da concessão, e chegou a cerca de 32 milhões em 2025. O dirigente associou esta evolução aos investimentos na modernização das infra-estruturas portuárias, incluindo intervenções anteriores de dragagem que permitiram aumentar a profundidade do canal e receber embarcações de diferentes dimensões.
Paulo Mata considerou que a decisão de investimento deve ter em conta a concorrência regional, numa altura em que outros portos da região também estão a realizar investimentos de modernização, uma vez que os exportadores avaliam os custos, os tempos de operação e a eficiência dos serviços antes de escolherem o porto para o escoamento das suas mercadorias. “Não direi aqui que seremos melhores, mas no fim do dia, o cliente é que fará esta comparação”, afirmou.
A intervenção teve lugar durante a sessão de apresentação de projectos estruturantes em execução nos corredores logísticos, moderada por Fernando Sebastião Ouana, do Ministério dos Transportes e Logística. Participaram também Rowan Diviani, da GTL, que apresentou o projecto do Terminal de Cereais de Nacala, e o engenheiro Simão Munguambe, do ITRANSMAR, que abordou os investimentos na sinalização marítima.
Sobre o evento
A primeira edição do TRANS-LOG MOZ 2026 decorreu nos dias 4 e 5 de Novembro, em Maputo, reunindo governantes de países da África Austral, investidores, instituições financeiras e operadores económicos. Durante os dois dias, o encontro promoveu debates sobre o financiamento de infra-estruturas, a modernização dos corredores logísticos, a redução dos custos de transporte e o reforço da integração comercial regional.
Texto: Felisberto Ruco





