O Governo quer elevar para 75% a extensão da Estrada Nacional Número 1 em boas condições de transitabilidade até ao fim do actual mandato, num projecto cuja dimensão financeira evidencia os desafios que o País enfrenta para recuperar uma das principais infra-estruturas de suporte à actividade económica.
A informação foi avançada nesta quarta-feira, na Assembleia da República, pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe.
Segundo o governante já foram identificados aproximadamente 814 quilómetros completamente degradados e que necessitam de intervenção estrutural ou reconstrução.
A reabilitação integral dos cerca de 2620 quilómetros da estrada está estimada em 3,5 mil milhões de dólares, dos quais 1,1 mil milhões tinham sido assegurados pelo Executivo em Maio de 2025, permanecendo por mobilizar aproximadamente 2,4 mil milhões de dólares.
“A degradação da EN1 tem implicações directas nos custos de transporte, nos custos da produção, no abastecimento dos mercados e na mobilidade das nossas populações”, afirmou o ministro, considerando que a recuperação daquela infra-estrutura constitui uma prioridade, não apenas para o sector dos transportes, mas para toda a estratégia de desenvolvimento económico e social do País.
Segundo o ministro, os 814 quilómetros identificados exigem reconstrução do pavimento, incluindo a base, reabilitação das estruturas hidráulicas e aplicação de soluções de engenharia capazes de conferir maior resistência e durabilidade à estrada.
“Estamos a falar de troços cuja recuperação exige muito mais do que operações de manutenção. Exige reconstrução do pavimento, incluindo a base, a reabilitação das estruturas hidráulicas e intervenções que garantam maior durabilidade e resistência aos eventos climáticos extremos”, explicou.
Para cobrir as despesas, o Governo está a mobilizar recursos junto dos parceiros de cooperação e instituições financeiras internacionais, complementados por fundos internos do Estado e participação do sector privado.
A necessidade de encontrar financiamento adicional ganha particular relevância tendo em conta que, dos 3,5 mil milhões de dólares estimados para a reabilitação integral da EN1, o montante anunciado como assegurado em Maio de 2025 representava aproximadamente um terço das necessidades financeiras então identificadas.
No que respeita à execução das obras, o ministro destacou a adjudicação dos trabalhos de aproximadamente 200 quilómetros no troço Gorongosa–Caia, cujos empreiteiros e respectivas equipas de fiscalização estão envolvidos na preparação da implementação dos trabalhos no terreno. Foram igualmente lançados concursos para a reabilitação de outros 200 quilómetros entre Chimuara e Nicoadala.
O Executivo pretende dar continuidade aos processos de contratação e adjudicação dos restantes lotes durante 2027, de modo que os 814 quilómetros identificados estejam integralmente abrangidos por contratos e obras em execução até ao fim daquele ano.
O governante esclareceu, entretanto, que o prazo não corresponde à conclusão da reconstrução da estrada, mas à meta de colocar todos os troços abrangidos pelo programa em processo de intervenção.
Na zona Sul, o programa contempla ainda a preparação dos documentos de concurso para a reabilitação e ampliação do troço Missão Roque–Zimpeto, com 6,7 quilómetros, e a intervenção no segmento 3 de Fevereiro–Coluane, com 17 quilómetros. Na região Centro, estão previstas intervenções em Gorongosa–Caia, Chimuara–Nicoadala e Inchope–Gorongosa, enquanto, no Norte, o Governo prepara a reabilitação de Pemba–Metoro, numa extensão de 94 quilómetros.
A estratégia prevê igualmente a incorporação de soluções de engenharia para reduzir a vulnerabilidade da EN1 às cheias e aos ciclones, através da melhoria dos sistemas de drenagem, reforço das estruturas hidráulicas e protecção de pontes.
O sector está também a desenvolver o mapeamento dos troços mais vulneráveis a inundações e cortes de circulação, para definir prioridades de intervenção.
Entretanto, o Governo alerta que a concretização da meta de colocar 75% da EN1 em boas condições dependerá da capacidade de mobilização dos recursos financeiros, da execução dos contratos e da manutenção dos troços recuperados.




