Moçambique recebe anualmente cerca de 500 mil jovens no mercado de trabalho, mas a capacidade de criação de emprego na economia formal continua muito abaixo das necessidades, alertou o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá. O governante defendeu o reforço do investimento na agricultura, na industrialização e nas pequenas e médias empresas (PME), de modo a ampliar as oportunidades de emprego e aproveitar o potencial da população jovem.
Durante o encerramento da Conferência sobre População e Desenvolvimento, realizado esta quinta-feira, 5 de Novembro, em Maputo, Salim Valá afirmou que o crescimento da população jovem representa simultaneamente uma oportunidade económica e um risco social, caso não seja acompanhado pela criação de postos de trabalho.
Segundo o ministro, cerca de 33,4% dos jovens moçambicanos não estudam, não trabalham nem frequentam qualquer formação, situação que, na sua avaliação, poderá transformar o potencial dividendo demográfico num passivo social.
Perante este cenário, defendeu a necessidade de criar emprego em grande escala, através do desenvolvimento da agricultura, da industrialização, do empreendedorismo, dos serviços e da promoção do conteúdo local, áreas que considera fundamentais para absorver a crescente população em idade activa.
Salim Valá destacou igualmente a importância de uma maior articulação entre o sistema de ensino, a formação técnico-profissional e as necessidades do mercado de trabalho, de modo a garantir que as competências adquiridas pelos jovens correspondam às exigências das empresas.
“O desafio ganha maior dimensão perante a estrutura demográfica do País. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE), Moçambique tem mais de 35 milhões de habitantes, dos quais mais de 70% têm menos de 30 anos”, afirmou.
O governante sublinhou que o aproveitamento desta estrutura populacional depende da capacidade de transformar o crescimento demográfico em maior produtividade, rendimento e oportunidades económicas.
Neste contexto, apontou o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), que disponibiliza financiamento a iniciativas económicas nos distritos do País, como um dos instrumentos destinados a estimular o empreendedorismo, a produção e a criação de emprego, nomeadamente entre os jovens.
O ministro defendeu ainda que a economia deve crescer a um ritmo superior ao da população, de modo a assegurar que a expansão económica se traduza em melhores rendimentos e condições de vida para os moçambicanos.
“O desafio do emprego jovem integra a Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE) 2025-2044, que estabelece como meta a redução da taxa de desemprego, mas a concretização deste objectivo dependerá, da implementação de políticas públicas capazes de estimular a actividade produtiva, ampliar o investimento e assegurar que o crescimento da economia se traduza na criação de postos de trabalho”, afirmou.





