Moçambique está a avançar com o projecto de um terminal de importação de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Matola, com o objectivo de assegurar uma alternativa ao fornecimento de Pande e Temane, cuja produção deverá terminar em 2030. A Beluluane Gas Company (BGC) prevê alcançar o fecho financeiro do empreendimento até ao final de 2027, informou esta quinta-feira, 5 de Novembro, a agência Lusa.
Como parte dos preparativos, a BGC anunciou a nomeação do consórcio VGI/PRDW como Engenheiro do Proprietário do futuro terminal. A entidade ficará responsável por consolidar os projectos de engenharia e apoiar a conclusão do processo de contratação do empreiteiro que executará as obras, através de um contrato de Engenharia, Aquisição e Construção (EPC).
Segundo a empresa, esta etapa deverá permitir avançar para o fecho financeiro, cujo financiamento inicial será assegurado pela Matola Gas Company (MGC) e pela Gigajoule International (GI).
Terminal deverá abastecer centrais eléctricas e indústria
A entrada em funcionamento da infra-estrutura antes do esgotamento da produção de Pande e Temane é considerada fundamental para garantir o fornecimento de gás às centrais eléctricas de Chókwè, Ressano Garcia e Maputo, que disponibilizam cerca de 450 megawatts à Electricidade de Moçambique (EDM).
O terminal deverá igualmente assegurar o abastecimento de gás à indústria transformadora da região de Maputo e Matola, cuja actividade depende deste recurso energético.
A produção acumulada dos campos de Pande, Temane e Inhassoro atingiu 3 306,41 petajoules até Outubro de 2025, equivalentes a 79,48 mil milhões de metros cúbicos de gás. Deste volume, 3 278,66 petajoules correspondem aos campos abrangidos pelo PPA
Beluluane Gas Company (BGC)
As negociações comerciais para o fornecimento de GNL, financiamento da construção e venda de gás à África do Sul encontram-se, segundo a BGC, na fase final, estando previstos novos anúncios em breve.
Pande e Temane aproximam-se do fim da produção
A necessidade de uma alternativa está relacionada com a maturidade dos campos de Pande e Temane, na província de Inhambane, explorados pela sul-africana Sasol ao abrigo do Acordo de Produção Petrolífera (PPA), assinado em 2000.
Segundo dados apresentados pela empresa em Agosto, a produção acumulada dos campos de Pande, Temane e Inhassoro atingiu 3 306,41 petajoules até Outubro de 2025, equivalentes a 79,48 mil milhões de metros cúbicos de gás. Deste volume, 3 278,66 petajoules correspondem aos campos abrangidos pelo PPA.
As reservas de Pande e Temane foram inicialmente estimadas em 4,5 biliões de pés cúbicos, dos quais cerca de 3,1 biliões já tinham sido produzidos até ao final de 2025. A Sasol prevê o fim da extracção em 2030, embora admita investimentos para prolongar a actividade até 2031. A licença de produção do PPA termina em 2034.
Em paralelo, a empresa iniciou, em 2025, a produção ao abrigo do Contrato de Partilha de Produção (PSA), associado ao campo de Inhassoro. Com uma licença válida até 2050, esta concessão dispõe de recursos estimados em 2,5 biliões de pés cúbicos, dos quais cerca de 1,2 biliões são considerados recuperáveis sob a forma de gás natural, petróleo leve e gás de petróleo liquefeito.
A BGC, sociedade criada em 2016 pela sul-africana Gigajoule e pela francesa TotalEnergies, desenvolve o projecto de importação de GNL através do porto da Matola. Por sua vez, a MGC fornece gás à região desde 2005, abastecendo actualmente duas centrais eléctricas e mais de 35 unidades industriais com produção nacional.





