O Governo está a instalar oito postos de abastecimento de gás natural veicular (GNV) nas três províncias do sul do País, numa estratégia para diversificar as fontes de energia e reduzir a dependência dos combustíveis líquidos, num contexto de dificuldades de abastecimento. As infra-estruturas deverão entrar em funcionamento em 2027, anunciou esta quarta-feira (4) o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale.
“O Executivo está a promover o alargamento do acesso ao gás natural veicular, através da implementação de um programa estruturado. Com efeito, está em curso a instalação de três novos postos de abastecimento na cidade e província de Maputo, dois na província de Gaza e três em Inhambane”, afirmou o governante.
Durante uma sessão de perguntas dos deputados ao Governo, no Parlamento, Estêvão Pale explicou que o programa prevê também o reforço da utilização de autocarros movidos a gás natural no transporte público, reconhecendo, contudo, que estas alternativas não resolverão de imediato os actuais constrangimentos no abastecimento de combustíveis, que afectam as famílias, os transportes e o sector agrícola.
Citado pela Lusa, o ministro avançou que o Executivo adoptou várias medidas para minimizar as dificuldades de abastecimento, entre as quais a proibição temporária da reexportação de combustíveis destinados ao consumo interno, salvaguardando o trânsito regular de produtos para outros países.
“Reforçámos a capacidade operacional da nossa empresa Petromoc, permitindo-lhe disponibilizar volumes adicionais de combustíveis e abastecer os operadores retalhistas, independentemente da existência de contratos prévios com outros distribuidores”, declarou.
Estêvão Pale acrescentou que o Governo intensificou as operações de carregamento nos principais terminais do País — Maputo, Beira, Nacala e Pemba —, prevendo o alargamento dos horários de funcionamento e a realização de operações aos sábados, sempre que necessário, para acelerar a distribuição dos combustíveis.
Entre Abril e Maio, a escassez de gasolina e gasóleo provocou longas filas nos postos de abastecimento e constrangimentos no fornecimento a consumidores e empresas. Na altura, o Governo atribuiu parte das dificuldades ao impacto do conflito no Médio Oriente sobre os mercados internacionais de energia e as cadeias de abastecimento, indicando que cerca de 80% dos combustíveis importados por Moçambique tinham origem naquela região e transitavam pelo estreito de Ormuz.
Paralelamente, o Banco de Moçambique reconheceu dificuldades de acesso a divisas para financiar as importações de combustíveis, associadas, segundo a instituição, a limitações da capacidade financeira de algumas empresas do sector.
Dados do banco central indicam que o País gastou 236,4 milhões de dólares na importação de combustíveis no primeiro trimestre de 2026, uma redução de 1,4% face aos 239,6 milhões de dólares registados no período homólogo de 2025.
Em Maio, perante os efeitos da crise de abastecimento e a subida dos preços internacionais, o Governo decidiu aumentar os preços administrados dos combustíveis, medida que resultou num agravamento de 45,5% no preço do gasóleo e de 12,1% no da gasolina.





