A A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) defendeu, esta quarta-feira (4), em Maputo, a elaboração de um roteiro de investimentos em transportes e logística para o período 2026-2030, com projectos prioritários, metas de redução dos custos operacionais e mecanismos de acompanhamento da execução. A proposta visa reforçar a competitividade dos corredores logísticos nacionais e promover a integração comercial na África Austral.

A iniciativa foi apresentada pelo vice-presidente da CTA, Onório Manuel, durante a primeira edição do Fórum e Exposição de Investimento em Transportes e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026), que reúne representantes governamentais, investidores, instituições financeiras e operadores económicos de vários países da região.

Segundo o dirigente empresarial, o roteiro deverá definir prioridades de investimento, identificar os principais obstáculos ao funcionamento dos corredores de transporte e estabelecer compromissos para melhorar as ligações entre Moçambique e os mercados regionais. “Com uma carteira de projectos prioritários, identificação dos principais estrangulamentos e compromissos de integração transfronteiriça”, afirmou Onório Manuel, ao defender a criação de um instrumento de orientação dos investimentos até 2030.

O vice-presidente da CTA considerou que a modernização do sector exige recursos financeiros significativos, num contexto de limitações do financiamento público, tornando indispensável uma maior participação de investidores privados e parceiros de desenvolvimento. Neste sentido, defendeu ser “fundamental criar condições para atrair capital privado e financiamento de desenvolvimento, com modelos de negócio sustentáveis e riscos adequadamente distribuídos”.

Para o representante do sector empresarial, um dos principais desafios passa por transformar as oportunidades de investimento em projectos economicamente viáveis, sustentados por estudos técnicos e financeiros que facilitem o acesso ao financiamento e a sua concretização. “Aos investidores, precisamos de apresentar projectos com procura identificada, estudos de viabilidade, necessidades de capital e modelos claros de exploração. Precisamos de menos projectos anunciados e de mais projectos preparados para financiamento e execução”, sublinhou.

CTA propõe investimentos até 2030 para reduzir custos logísticos e reforçar o comércio regional

Entre as áreas prioritárias, a CTA destacou o desenvolvimento de terminais logísticos, infra-estruturas de armazenagem de cereais, cadeias de frio, equipamentos portuários e transporte ferroviário, bem como a adopção de soluções digitais para melhorar a gestão e o acompanhamento das mercadorias. Onório Manuel salientou ainda a importância de reforçar a ligação dos corredores de Maputo, Beira e Nacala aos mercados do interior da África Austral, através de infra-estruturas ferroviárias e rodoviárias mais eficientes e da melhoria dos procedimentos fronteiriços.

Na perspectiva do dirigente, a competitividade dos corredores logísticos não depende apenas da capacidade de movimentação de mercadorias, mas também da eficiência de toda a cadeia de transporte, desde os portos até aos mercados de destino. “A competitividade de um corredor não se mede apenas pela capacidade do seu porto, mas pelo custo, tempo e previsibilidade com que a mercadoria chega ao destino final. Uma ferrovia com capacidade disponível não resolve o problema se faltar equipamento do outro lado da fronteira”, explicou.

Por isso, a CTA considera essencial que o roteiro inclua metas concretas de redução dos custos logísticos, medidas de simplificação dos procedimentos fronteiriços e mecanismos de monitorização da execução dos projectos, garantindo que os investimentos se traduzam em ganhos efectivos de eficiência e competitividade para as empresas e para a economia nacional.

A primeira edição do TRANS-LOG MOZ 2026 decorre nos dias 4 e 5 de Novembro, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, reunindo governantes de países da África Austral, investidores nacionais e internacionais, instituições financeiras, empresários e operadores do sector. O encontro promove debates sobre oportunidades de investimento, modernização de portos, estradas e caminhos-de-ferro, financiamento de infra-estruturas e eliminação de barreiras ao comércio, com o objectivo de reforçar a competitividade de Moçambique e a integração económica regional.

Texto: Felisberto Ruco