O ministro dos Transportes e das Infra-estruturas do Botsuana, Keagile Atamelang, destacou, esta quarta-feira (4), em Maputo, o potencial dos portos moçambicanos de Maputo, Beira e Nacala como alternativas para diversificar as rotas de exportação do seu país. O governante defendeu uma maior integração dos corredores logísticos da África Austral e a harmonização dos procedimentos fronteiriços, de modo a facilitar a circulação de mercadorias na região.

A posição foi manifestada durante a primeira edição do Fórum e Exposição de Investimento em Transportes e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026), onde o ministro considerou que a localização geográfica de Moçambique representa uma oportunidade estratégica para o Botsuana diversificar o acesso aos mercados internacionais.

Na sua intervenção, Keagile Atamelang explicou que o Botsuana dispõe de corredores de transporte que o ligam à Namíbia, à África do Sul, ao Zimbabué e à Zâmbia, mas pretende reforçar a ligação destas infra-estruturas aos corredores moçambicanos, criando novas alternativas para o escoamento de mercadorias. “E também há a possibilidade de irmos para o porto de Beira”, afirmou, apontando igualmente Nacala como uma opção de acesso ao transporte marítimo.

Segundo o governante, a diversificação das rotas é essencial para garantir maior flexibilidade no transporte de mercadorias e reduzir os riscos associados à dependência de um único corredor, nomeadamente os constrangimentos logísticos e os atrasos nas operações comerciais. “Cada corredor merece ou precisa ter uma alternativa também”, defendeu, acrescentando que a escolha dos trajectos não deve depender apenas da distância, mas também da existência de ligações alternativas capazes de assegurar a continuidade do transporte.

Atamelang considerou que o reforço da conectividade regional poderá contribuir para a diversificação da economia do Botsuana, ao melhorar as condições de escoamento dos recursos naturais e dos produtos transformados para os mercados internacionais. “A nossa economia também será diversificada nesse sentido”, afirmou, destacando as oportunidades resultantes do desenvolvimento de corredores logísticos interligados.

Harmonização dos procedimentos fronteiriços é prioridade

Apesar do potencial das infra-estruturas existentes, o ministro alertou que a eficiência dos corredores depende da adopção de mecanismos comuns de gestão e da harmonização dos quadros legais e regulamentares dos países da região.

Neste sentido, defendeu a criação de estruturas de gestão conjunta dos corredores e a uniformização dos procedimentos fronteiriços, de modo a facilitar a circulação ferroviária e o transporte de mercadorias entre os diferentes países, reduzindo os obstáculos administrativos. “O ponto de partida, eu insisto, é a standardização dos protocolos”, declarou.

O governante sublinhou ainda que a integração regional exige medidas concretas para garantir a compatibilidade dos sistemas de transporte e evitar que diferenças legislativas e regulamentares entre países dificultem a circulação ferroviária transfronteiriça.

A intervenção decorreu durante o painel ministerial de alto nível subordinado ao tema “Corredores das Regiões Sul e Centro: Limpopo e Beira”, moderado por Ambrósio Adolfo Sitoe, do Ministério dos Transportes e Logística de Moçambique.

O debate contou igualmente com a participação dos ministros dos Transportes de Moçambique, João Jorge Matlombe, do Zimbabué, Felix Mhona, e de Essuatíni, Ndlaluhlaza Ndwandwe, bem como do vice-ministro dos Transportes da Namíbia, Hans Haikali. A sessão centrou-se nas medidas para reduzir os tempos de trânsito e de passagem nas fronteiras, além da identificação de projectos conjuntos de infra-estruturas a apresentar a potenciais financiadores até 2027.

Sobre o evento

A primeira edição do Fórum e Exposição de Investimento em Transportes e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026) decorre nos dias 4 e 5 de Novembro, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, reunindo governantes de países da África Austral, investidores nacionais e internacionais, instituições financeiras, empresários e operadores do sector.

O encontro promove debates sobre oportunidades de investimento, modernização de portos, estradas e caminhos-de-ferro, financiamento de infra-estruturas, redução dos custos logísticos e eliminação de barreiras ao comércio, com o objectivo de reforçar a competitividade de Moçambique e a integração económica regional.

Texto: Felisberto Ruco