O ministro dos Transportes do Zimbabué, Felix Mhona, defendeu, esta quarta-feira, 4 de Novembro, em Maputo, a eliminação dos constrangimentos administrativos e operacionais que dificultam o comércio entre os países da África Austral, alertando que a falta de coordenação na gestão das fronteiras e na implementação de projectos de infra-estruturas compromete a eficiência dos corredores logísticos regionais.
A posição foi manifestada durante a primeira edição do Fórum e Exposição de Investimento em Transportes e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026), onde o governante destacou a necessidade de harmonizar procedimentos e reforçar a cooperação entre os países, de modo a facilitar a circulação de mercadorias e reduzir os obstáculos ao comércio transfronteiriço.
Na sua intervenção, Felix Mhona considerou que a modernização das infra-estruturas de transporte, por si só, não garante a eficiência dos corredores logísticos, sobretudo quando os países envolvidos adoptam procedimentos diferentes ou não coordenam a execução dos investimentos.
“Nós podemos fazer nosso trabalho, ou você pode fazer seu trabalho, mas quando não concordamos, não há forma de ter um corredor funcional”, advertiu o governante, ao defender uma maior articulação entre os Estados na implementação dos projectos regionais.
O ministro apontou os constrangimentos nos postos fronteiriços, incluindo os procedimentos de imigração e a intervenção de diferentes autoridades, como factores que continuam a provocar atrasos na circulação transfronteiriça.
Segundo o governante, a superação destes obstáculos exige não apenas investimentos na modernização das infra-estruturas, mas também a harmonização dos procedimentos administrativos e dos mecanismos de execução dos projectos que ligam os países da região.
Neste contexto, Felix Mhona destacou a importância de uma coordenação efectiva entre Moçambique e o Zimbabué, referindo a ligação fronteiriça de Machipanda-Forbes como exemplo da necessidade de assegurar procedimentos compatíveis na implementação de projectos comuns.
O ministro questionou ainda a eficácia dos acordos bilaterais quando estes não são acompanhados por medidas concretas, defendendo que os compromissos assumidos pelos governos devem traduzir-se em planos de acção com mecanismos claros de execução.
“Qual é o plano de acção depois de entrarmos em um MOU?”, questionou, ao sublinhar a importância de definir uma matriz de implementação que permita transformar os entendimentos entre os países em resultados concretos.

A intervenção teve lugar durante o painel ministerial de alto nível subordinado ao tema “Corredores das Regiões Sul e Centro: Limpopo e Beira”, moderado por Ambrósio Adolfo Sitoe, do Ministério dos Transportes e Logística de Moçambique. O debate contou igualmente com a participação dos ministros dos Transportes de Moçambique, João Jorge Matlombe, de Essuatíni, Ndlaluhlaza Ndwandwe, e do Botsuana, Keagile Atamelang, além do vice-ministro dos Transportes da Namíbia, Hans Haikali.
Sobre o evento
A primeira edição do Fórum e Exposição de Investimento em Transportes e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026) reúne, durante dois dias, 4 e 5 de Novembro, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, governantes de países da África Austral, investidores nacionais e internacionais, instituições financeiras, empresários e operadores do sector. O encontro promove debates sobre oportunidades de investimento, modernização de portos, estradas e caminhos-de-ferro, financiamento de infra-estruturas, redução dos custos logísticos e eliminação de barreiras ao comércio, com o objectivo de reforçar a competitividade de Moçambique e a integração económica regional.





