O Presidente da República, Daniel Chapo, alertou, esta quarta-feira (4), que a corrupção e a burocracia podem comprometer os benefícios dos investimentos realizados na modernização das infra-estruturas de transportes e logística em Moçambique. O chefe do Estado defendeu a necessidade de acelerar as reformas institucionais, simplificar os procedimentos administrativos e reforçar a transparência, de modo a reduzir os custos logísticos e melhorar a competitividade da economia nacional.

A posição foi manifestada durante a cerimónia de abertura da primeira edição do Fórum e Exposição de Investimento em Transportes e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026), que decorre nos dias 4 e 5 de Novembro, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, na cidade de Maputo, reunindo representantes governamentais, investidores, empresários e operadores do sector dos transportes e logística de vários países.

Na sua intervenção, Daniel Chapo considerou que o desenvolvimento do sector não depende exclusivamente da construção e modernização de estradas, portos e caminhos-de-ferro, sendo igualmente necessário assegurar que as instituições responsáveis pelo seu funcionamento adoptem procedimentos mais eficientes e transparentes.

“Não podemos investir em estradas e caminhos-de-ferro e permitir que a burocracia e a corrupção anulem os ganhos de eficiência que estamos a investir nas infra-estruturas”, advertiu o Presidente da República.

O chefe do Estado sublinhou que os investimentos físicos devem ser acompanhados por mudanças no funcionamento das instituições públicas, incluindo a melhoria da qualidade dos serviços, o reforço da integridade dos operadores e a adopção de soluções tecnológicas.

“A modernização de infra-estruturas deve caminhar lado a lado com a modernização das instituições”, afirmou, defendendo igualmente maior responsabilidade, competência e integridade na gestão do sector.

Segundo Daniel Chapo, o Executivo está a impulsionar uma agenda de reformas estruturais destinada a modernizar as instituições, simplificar os procedimentos administrativos e acelerar a digitalização dos serviços públicos, com o objectivo de criar condições mais favoráveis ao desenvolvimento das actividades económicas.

“Queremos que essas reformas sejam sentidas pelos cidadãos e operadores económicos, através de menos burocracias, menos custos logísticos, maior transparência e serviços mais eficientes”, declarou.

O Presidente da República defendeu ainda a criação de um sistema de transportes e logística mais integrado, no qual os portos, caminhos-de-ferro, estradas, aeroportos e postos fronteiriços funcionem de forma articulada, tanto a nível nacional como no espaço regional da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Os investimentos em curso e previstos nos corredores de Maputo, Beira e Nacala devem contribuir para melhorar a circulação de mercadorias

Neste contexto, reafirmou o compromisso do Governo com a melhoria do ambiente de negócios e a criação de condições que transmitam maior confiança aos investidores nacionais e estrangeiros.

“Aos investidores nacionais e estrangeiros, reafirmamos o nosso compromisso, como Governo da República de Moçambique, de continuar a melhorar o ambiente de negócios e a promover condições de confiança, previsibilidade, segurança, incluindo a segurança jurídica”, assegurou.

Chapo associou igualmente a atracção de investimentos ao reforço da segurança e ao combate à criminalidade económica, apontando os raptos, o branqueamento de capitais, a corrupção e a burocracia como factores que prejudicam o ambiente empresarial.

“Por isso, continuaremos implacáveis no combate a todo tipo de crime, aos raptos, branqueamento de capitais, à corrupção, à burocracia e qualquer outro mal que mina o ambiente de negócios na República de Moçambique”, afirmou.

Corredores logísticos devem gerar riqueza e emprego

Durante o discurso, Daniel Chapo destacou também a necessidade de transformar os principais corredores logísticos do País em plataformas de desenvolvimento económico, capazes de estimular a industrialização, criar postos de trabalho e gerar novas oportunidades para o sector privado.

“Não queremos corredores que sejam apenas caminhos de passagem de mercadorias. Queremos corredores que sejam espaços de produção, industrialização, emprego e criação de riqueza para o povo moçambicano e o povo da região da África Austral.”

A este propósito, referiu os investimentos em curso e previstos nos corredores de Maputo, Beira e Nacala, considerando que a expansão das infra-estruturas deve contribuir para melhorar a circulação de mercadorias, facilitar as exportações e reforçar a integração comercial entre Moçambique e os países vizinhos.

O chefe do Estado insistiu, contudo, que a avaliação do sucesso destes investimentos não deve limitar-se ao volume de mercadorias movimentadas ou à extensão das infra-estruturas construídas, mas considerar sobretudo o seu contributo para a criação de riqueza, emprego e oportunidades económicas para as comunidades locais.

Na perspectiva do Presidente, a redução dos custos de transporte, a eliminação de obstáculos administrativos e a modernização dos procedimentos fronteiriços constituem condições fundamentais para aumentar a competitividade dos produtos nacionais e regionais nos mercados internacionais.

A primeira edição do TRANS-LOG MOZ decorre sob o lema “Da Costa aos Corredores: Investir em Moçambique como Porta de Entrada Comercial Regional e Centro de Trânsito”, tendo como principais temas o financiamento de infra-estruturas, a integração dos corredores logísticos, a modernização das fronteiras e a mobilização de investimento privado para o sector.

Texto: Felisberto Ruco