Os países produtores de petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+) decidiram manter inalteradas as metas de produção para Dezembro, adiando novas alterações na política de oferta para 2027, numa altura em que o grupo continua a enfrentar perturbações nas exportações devido à guerra no Irão.

A decisão foi tomada este domingo, 1 de Novembro, durante uma reunião virtual que juntou sete membros do núcleo da OPEP+: Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão e Omã, segundo um comunicado da organização.

Apesar de os países do Golfo estarem a aumentar as exportações, os fluxos de petróleo continuam afectados pelo conflito, que dura há vários meses. A maioria dos produtores ainda opera abaixo das respectivas metas de produção.

A OPEP+ integra a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e outros produtores aliados, incluindo a Rússia. Nos últimos anos, as decisões mensais sobre os níveis de produção têm sido conduzidas pelos sete países agora reunidos, aos quais se juntavam os Emirados Árabes Unidos, até à sua saída da organização, em Maio.

Os 21 membros do grupo deverão voltar a reunir-se a 29 de Novembro, numa sessão em que os analistas esperam uma decisão sobre as quotas de produção para 2027.

“Hoje, a decisão foi fácil. O teste muito mais importante será na reunião ministerial de 29 de Novembro, quando a OPEP+ decidir o quadro de produção para 2027”, afirmou Jorge Leon, analista da Rystad.

Os preços do petróleo subiram mais de 2% na sexta-feira, com o Brent a fechar perto dos 118 dólares por barril, o nível mais elevado desde Abril. A evolução ocorreu num contexto de receios de uma possível escalada da guerra no Irão após as eleições intercalares nos Estados Unidos.

A Agência Internacional de Energia e outras instituições de previsão têm alertado para a possibilidade de excesso de oferta em 2027, caso os fluxos de petróleo do Golfo regressem à normalidade.

Segundo Jorge Leon, a OPEP+ enfrenta uma decisão particularmente complexa para o próximo ano, devido à incerteza em torno do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, da recuperação do tráfego no Estreito de Ormuz e da dimensão do excedente de petróleo que poderá surgir quando as exportações forem normalizadas.

Revisão da capacidade de produção em foco

Os sete países têm aumentado as metas de produção ao longo de 2026 e concluíram, em Setembro, a reversão faseada de um corte de oferta de 1,65 milhão de barris por dia, acordado inicialmente em 2023.

Nas reuniões anteriores, o grupo já tinha decidido manter as metas de produção inalteradas para Outubro e Novembro.

A OPEP+ mantém ainda uma segunda camada de cortes, de cerca de dois milhões de barris por dia, que abrange a maioria dos membros e deverá vigorar até ao final de 2026.

O grupo precisa também de concluir, durante o quarto trimestre, uma avaliação da capacidade de produção dos seus membros. O exercício servirá de base para definir os níveis de referência de 2027, que determinarão as futuras quotas e os planos para reverter os cortes ainda em vigor.

Contudo, a guerra no Irão perturbou projectos de expansão da capacidade petrolífera no Médio Oriente, aumentando a incerteza em torno do potencial de produção futura da região.

De acordo com informações avançadas pela Reuters em Outubro, a conclusão da avaliação, inicialmente prevista para este período, foi adiada para meados de Novembro.

Fonte: Reuters