O ouro está a desvalorizar-se na manhã desta terça-feira, 3 de Novembro, num contexto marcado pela recuperação dos preços do petróleo e pela expectativa em torno das eleições intercalares nos Estados Unidos da América (EUA), que decorrem hoje.

O metal precioso recua 0,96%, para 3908,520 dólares por onça, enquanto a prata regista uma queda mais acentuada, de 3,13%, para 49,051 dólares por onça.

A recuperação dos preços do petróleo surge na sequência de notícias divulgadas pela imprensa internacional, segundo as quais o Irão e os EUA continuam longe de alcançar um acordo, numa altura em que prosseguem os ataques norte-americanos de menor escala contra a República Islâmica.

Na segunda-feira, a forte queda das cotações do petróleo tinha favorecido o ouro, um activo que não proporciona juros e cuja atractividade tende a aumentar quando diminuem as expectativas de subida das taxas de juro.

“O alívio revelou-se de curta duração, uma vez que a descida dos preços do petróleo não se manteve”, afirmou à Bloomberg Christopher Wong, analista do Oversea-Chinese Banking Corp. “Continuamos cautelosos no curto prazo e não excluímos uma nova fase de consolidação ou uma pressão adicional em baixa, enquanto os mercados procuram encontrar um nível mínimo para os preços”, acrescentou.

A guerra no Médio Oriente, que entra no nono mês, tem provocado uma forte subida dos preços da energia, alimentando as pressões inflacionistas e levando os bancos centrais a adoptar políticas monetárias mais restritivas.

O ouro tem sido igualmente afectado pela retirada de investidores das acções de empresas ligadas à inteligência artificial (IA), com alguns a venderem posições no metal precioso para compensar perdas noutros activos. Em Outubro, a cotação caiu 6,8%, recuando para menos de 4000 dólares por onça.

Entretanto, os norte-americanos são chamados às urnas esta terça-feira para as eleições intercalares. Segundo a gestora de patrimónios Noah Holdings, citada pela Bloomberg, o principal factor a acompanhar será a forma como os resultados poderão influenciar a política orçamental dos EUA e, consequentemente, a evolução dos preços do ouro.

O metal precioso é particularmente sensível à actuação do Tesouro norte-americano no mercado obrigacionista, ao recurso do Governo ao financiamento através de dívida de curto prazo e à capacidade da Reserva Federal de controlar as taxas de juro de curto prazo. Qualquer alteração nestas condições, decorrente dos resultados eleitorais, poderá ter repercussões indirectas na cotação do ouro.