O ministro da Saúde, Ussene Isse, apelou ao investimento privado na aquisição de um novo equipamento de radioterapia e na produção nacional de medicamentos e material médico-cirúrgico. O objectivo é reduzir a dependência das importações e dos tratamentos no estrangeiro, numa altura em que o único aparelho de radioterapia do País continua inoperacional.

O governante apresentou estas prioridades na quarta-feira, 28 de Outubro, durante a abertura da segunda edição da Mozambique Medical Expo, em Maputo, defendendo uma maior colaboração entre o Estado, as empresas e os parceiros para ampliar a oferta de cuidados especializados.

Segundo Isse, a tentativa de recuperar o equipamento de radioterapia esbarrou na falta de peças de substituição, entretanto descontinuadas. O Governo procura acelerar a aquisição de uma nova máquina, com o apoio do sector privado.

A paralisação obriga doentes a procurar assistência fora de Moçambique, com encargos para as famílias e para o Estado. O aparelho está instalado no Hospital Central de Maputo e tem registado sucessivas avarias. Em Novembro de 2025, o ministro anunciara que o material necessário à reparação já se encontrava na capital e que o serviço seria restabelecido em breve, recorda a Lusa.

Produção Local Para Reduzir Dependência Externa

Outra prioridade é atrair investimento para o fabrico de medicamentos e consumíveis hospitalares. Citado pelo jornal O País, Isse apontou as dificuldades de abastecimento durante a pandemia da Covid-19 como exemplo da vulnerabilidade do sistema às perturbações do mercado internacional.

O ministro referiu também a demora nas aquisições externas, indicando que medicamentos comprados em Fevereiro de 2025 só começaram a chegar em Agosto. Na sua avaliação, produzir localmente parte destes bens permitiria acelerar o abastecimento dos hospitais.

Mais Capacidade Para Tratar Doentes no País

Isse defendeu ainda o reforço do diagnóstico e dos tratamentos especializados para reduzir as transferências de pacientes para o estrangeiro. Segundo o governante, “quatro ou cinco doenças” estão na origem dessas deslocações, embora a notícia não identifique as patologias abrangidas.

O apelo foi dirigido a gestores hospitalares, laboratoriais e farmacêuticos, entre outros intervenientes, chamados a colaborar na expansão da capacidade nacional de assistência e produção.