Representantes do sector financeiro africano reúnem-se a 3 e 4 de Novembro, em Luanda, para discutir formas de canalizar o capital acumulado para os sectores produtivos do continente, anunciou esta segunda-feira, 26 de Outubro, o Governo angolano.
Angola acolhe a sexta edição do África Financial Summit (AFIS 2026), uma iniciativa organizada pelo Jeune Afrique Media Group, em parceria com a Corporação Financeira Internacional (IFC), membro do Banco Mundial.
O encontro deverá reunir 1250 dirigentes e reguladores do sector financeiro africano e internacional, para debater formas de mobilizar os capitais africanos para o investimento produtivo, a criação de emprego e o crescimento a longo prazo.
Esta é a primeira vez que o AFIS se realiza na África Austral e num país lusófono. A cimeira decorrerá em Luanda sob o lema “Making Capital Count: Impulsionar o crescimento através do financiamento africano”.
De acordo com um comunicado do Governo angolano, o encontro analisará como a solidez financeira de África pode traduzir-se num maior financiamento da economia real, no desenvolvimento dos mercados financeiros e num impacto local mais significativo.
Com enfoque nas prioridades para a próxima década, a cimeira contará, entre outros participantes, com 18 governadores de bancos centrais e oito ministros das Finanças de África e de outras regiões, sendo considerada um encontro de alto nível dos líderes financeiros africanos.
Em debate estará a necessidade do sector financeiro africano passar a concentrar-se no financiamento da próxima etapa de transformação do continente, depois de desenvolver instituições cada vez mais rentáveis e sofisticadas.
Segundo os dados divulgados, as receitas bancárias africanas ultrapassaram os 100 mil milhões de dólares em 2024, com uma rendibilidade dos capitais próprios de 19%, enquanto o crescimento económico abrandou para cerca de 5% ao ano.
Ao mesmo tempo, os empréstimos representam apenas cerca de 30% dos activos bancários em todo o continente, reflectindo uma afectação de capitais ainda insuficientemente orientada para os sectores produtivos, num mercado com “milhões de micro, pequenas e médias empresas fragmentadas ou a operar no sector informal”.
“Mobilizar mais capital privado e canalizá-lo para a agricultura, a indústria, a habitação, as infra-estruturas e as empresas em crescimento exigirá mercados financeiros mais profundos, novos modelos de financiamento e um acesso mais alargado ao crédito”, refere o comunicado.
África procura reforçar dimensão dos bancos
Outro desafio apontado é a dimensão das instituições financeiras, num continente onde “os 30 maiores bancos africanos detêm aproximadamente 1,2 biliões de dólares em activos, menos de um terço do total dos balanços dos seus homólogos latino-americanos”.
“A próxima geração de grandes instituições financeiras africanas distinguir-se-á pela capacidade de combinar escala, alcance, conhecimento sectorial e capacidade de actuação transfronteiriça, mantendo-se centrada nas necessidades de financiamento das economias africanas”, acrescenta o documento.
A prioridade passa agora por mobilizar e aplicar os capitais africanos de forma mais eficaz, assegurando que os recursos internos sejam canalizados para investimentos produtivos de longo prazo, refere ainda o comunicado.
Para a próxima década, são apontadas seis prioridades: uma finança ao serviço da economia real, dimensão com propósito, tecnologia adaptada às realidades africanas, transformação da poupança africana em investimento no continente, integração para ganhar escala e autonomia na definição das regras financeiras.
Fonte: Lusa





