O ouro chegou a cair abaixo da marca dos 4 mil dólares esta madrugada, atingindo o valor mais baixo em mais de três meses, numa altura em que os preços do petróleo continuam a aumentar e os investidores antecipam um impacto substancial na inflação. Face a este cenário, os bancos centrais podem ter de ser mais agressivos na hora de apertar a política monetária. 

Nesta manhã, o ouro reduziu as perdas para apenas 0,26%, cotando nos 4014,60 dólares por onça, mas chegou a cair quase 1% para menos de 3990 dólares. O metal amarelo, uma vez que não rende juros, tende a desvalorizar num ambiente de política monetária mais restritivo, não conseguindo capitalizar sobre a sua posição como activo-refúgio. 

“Continuamos cautelosos no curto prazo, sobretudo porque o ouro tem tido dificuldades em reagir positivamente à recente descida das taxas de rendibilidade”, explica Christopher Wong, analista da Oversea-Chinese Banking Corp, à Bloomberg. “A mais recente onda de vendas sugere que uma redução mais generalizada do risco e as preocupações persistentes com a inflação podem estar a superar o alívio proporcionado pela descida das taxas de rendibilidade”, acrescenta.

O mais recente sell-off no sector da Inteligência Artificial (IA) levou os investidores a procurarem refúgio noutros recantos do mercado, incluindo obrigações. A queda nos juros da dívida tende a ser benéfica para o ouro, mas preços da energia persistentemente elevados têm diminuído o apetite dos investidores pelo metal precioso. 

O mercado de “swaps” afasta, para já, uma subida nas taxas de juro na reunião da Reserva Federal (Fed) norte-americana na próxima semana, mas um aperto de 25 pontos base é dado como inevitável em Dezembro. O mesmo deverá acontecer com o Banco Central Europeu (BCE), que já subiu os juros directores em 50 pontos base este ano.