Os preços do petróleo estão novamente a negociar com ganhos e encaminham-se para fechar a terceira semana consecutiva a acelerar, numa altura em que os ataques na Arábia Saudita têm-se multiplicado e os investidores temem novas disrupções nos fluxos de crude pelo Estreito de Ormuz.

Nesta manhã, o Brent do Mar Norte – de referência para a Europa – acelera 0,9% para 114,16 dólares por barril, preparando-se para fechar a semana com ganhos de 4%. Por sua vez, o West Texas Intermediate (WTI) – benchmark para os Estados Unidos da América (EUA) – salta 1,20% para 100,67 dólares, voltando a cotar acima da marca dos 100 dólares. 

Também o gás natural TTF, negociado em Amesterdão, está a subir, com o preço por megawatt-hora a chegar aos 92,20 euros – um avanço de mais de 2% face à cotação de fecho da sessão anterior, elevando os ganhos deste ano para mais de 226%. 

Os mais recentes ataques do grupo rebelde do Iémen, os Houthis, que contam com o apoio do Irão, estão a aprofundar a incerteza que se vive na região desde que os EUA e Israel decidiram atacar a República Islâmica no final de Fevereiro. Para já, não se antecipa um fim do conflito no curto prazo, principalmente depois do Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que, apesar de Washington já ter “derrotado” Teerão, ainda é possível “ir um pouco mais longe”. 

“As mais recentes escaladas geopolíticas apontam para um ataque mais intenso contra o Irão, o que está a fazer subir o preço do crude”, afirmou Dennis Kissler, vice-presidente sénior de negociação da BOK Financial Securities, à Bloomberg. “A maioria dos investidores está a interpretar os últimos acontecimentos como um sinal de que os preços vão permanecer mais elevados durante mais tempo”, acrescenta. 

De acordo com o The New York Times, os EUA e Israel estarão a preparar-se para intensificar os ataques contra o Irão após as eleições intercalares norte-americanas, que se realizam a 3 de Novembro – a menos de duas semanas. Ao Financial Times, o embaixador de Trump junto das Nações Unidas, Mike Waltz, disse que os países poderão continuar num impasse até ao final de 2027.